DESUMANIDADE

I

O manto da noite ainda nos abraça,

Quando para um novo dia o mundo desperta.

Inconsciente do que à sua volta se passa,

Segue viagem, descontraído, sem ligar o alerta.

II

Como tantos milhões, segue pacificamente a corrente.

Livre para viajar, sem destino, à volta da terra.

Em aeroportos pejados, de malas e tanta gente,

O viajante ignora, que algures começou a guerra.

III

Os jogos de poder, faz muito tempo começaram,

Num mundo dominado por interesses e sem valores.

A memória de humanidade faz tempo apagaram,

É a era das potências militares, prevalecem os ditadores.

IV

Crescem as tarifas. À economia erguem-se barreiras.

Em jogos palacianos, que promovem interesses particulares,

À força da bala e do dinheiro, criam-se novas fronteiras.

Com argumentos cretinos e acontecimentos singulares.

V

Em tabuleiro geoestratégico, joga-se um xadrez singular.

No papel dos bispos e cavalos, mísseis e porta-aviões.

Não interessam vidas ou regras, o importante é ganhar,

Ao invés de humanidade, servem-se antes ambições.

VI

Sob a égide da guerra, morrem inocentes e culpados.

Fecham-se rotas e mares, é o comércio em depressão.

São muitos os danos e há queixas de todos os lados,

Vence a lei do mais forte e não a de quem tem razão.

VII

Num mundo sem ética e que se esqueceu da bondade,

Com força bruta, a tudo se sobrepõe a vil economia.

A loucura impera, ao serviço do poder e da vaidade.

Onde está a voz da razão, tornando possível outra via?

VIII

O mundo tem novos polícias, implacáveis, com sofisticação!

São acusadores, júris e juízes, de sentenças sem apelo,

Amordaçam os réus que se atrevem a dizer não.

Sobre os pobres e fracos cai o mundo em atropelo.

IX

Em atentados de terror ou em guerras injustificadas,

Tira-se a vida sem olhar a sexo, idade ou profissão.

São ações condenáveis, mas por ambos glorificadas,

Uns são bem culpados, os outros não merecem o perdão!

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