RENASCER
A solidão que ensombra e entristece a alma,
O furor que consome os minutos do tempo.
A urgência que tudo vê como lento,
Habitam, onde antes, tranquila, vivia a calma.
Bebes os minutos com descontrolada sofreguidão…
Enquanto trocas a cultura por doses de gestão.
Sucedem-se os dias, velozes e sem paixão.
Devoras o mundo sem lhe sentir o sabor,
Em atos notáveis realizados sem amor.
Trocaste a vida, por viver a profissão!
Num um rasgo heroico de rotura, mas não tanto,
Traças as linhas de uma alma em pranto.
Prometes mudanças que a inação desmente.
Deixas que o turbilhão comande o teu destino.
Ao fim do dia vem a revolta em épico desatino,
Sonhas as fundações de um amanhã diferente.
É firme o manejar da pena, sob o controlo da mão,
Mas, fraco o poder de implementar tal decisão.
Acodem-te à mente soluções patéticas e irrelevantes.
Um borbulhar de ideias e a sua condenação.
Em campos opostos, cerram fileiras: o Ser e a Razão.
Batalha errática onde tudo fica como dantes.
Repousas cansado, mas não convencido,
Do resultado de uma batalha que podias ter vencido.
