CARTAS DE AMOR – Amor Principiante


Amor Principiante


O calor intenso daquela tarde de Julho era ligeiramente amenizado pela brisa suave que vinha do rio. O som da tua gargalhada atingiu-me primeiro que a beleza do teu sorriso. Voltei-me e vi-te. Empurravas a cadeira de rodas que transportava o teu amigo, com uma leveza e uma graciosidade, como quem carrega uma pena. A blusa e os calções justos permitiram-me admirar a perfeição do teu corpo. Percebeste que te admirava e dirigiste-me um olhar, brindando-me com um sorriso encantador. Os teus cabelos ruivos caíam caprichosamente sobre os ombros e a aragem tinha a ousadia de brincar com eles. O meu mundo parou. O teu amigo respondia com esgares, fruto da sua deficiência, aos teus carinhos e isso afastava os olhares dos passantes. Eu não conseguia tirar os olhar de ti. Corri para te ajudar quando mais ninguém quis segurar na cadeira. O teu olhar de agradecimento subjugou-me a alma. Naquele momento senti que mesmo sem te conhecer, sem nos conhecermos, eu te pertencia. A voz suave e meiga com que me disseste «Obrigado» falou diretamente com o meu coração.

Voltamos àquela esplanada no dia seguinte. Falamos de ti, de mim e do mundo. Conversamos como se sempre nos tivéssemos conhecido. Lembras-te? Durante uma semana voltamos todos os dias à mesma esplanada. Falamos de tudo, menos do amor que sentia crescer dentro de mim. Dizia para mim próprio «Declaro-me amanhã. De amanhã não passa!» Cada dia o meu amor era maior mas o receio de um «Não» crescia em igual proporção.

Partiste!
Eu tinha tomado a minha decisão. Iria gentilmente segurar-te a mão e abrir-te o meu coração. Falar-te do meu amor, da minha paixão. Contar-te sobre este amor infinito que fazia o meu coração transbordar como um rio em plena tempestade, com a mesma irreverência e inquietação com que este invade as margens.

Partiste!
O telefonema breve em que me dizias que irias passar um mês no Algarve e o convite para uma visita, encheram-me de esperança mas a dúvida atropela-me os sentimentos, comprime-me o peito e asfixia-me o coração. Não quero, nem posso esperar a semana inteira para te dizer o que sinto. Pois a ânsia de saber se este amor é correspondido teima em querer sufocar-me, a cada minuto que passa. Deixa-me ser o instrumento da tua felicidade. Permite que as nossas vidas sejam construídas lado a lado, num eterno caminhar, envolvidos pela luz resplandecente do meu, do teu, do nosso amor!

A tua ausência cria em mim um vazio cujo peso é insuportável. Para viver o meu coração anseia pelo teu, como as plantas anseiam pelo sol para as fazer crescer ou como as aves necessitam do céu para voar. A angústia de não conhecer a verdade dos teus sentimentos é como grilhões que me prendem e que arrasto com um caminhar pesado. Estou cativo deste amor que me promete felicidade eterna mas que a incerteza reduz a uma prisão sem grades.

Vem amar-me! Necessito de sentir a “prisão” do teu amor para ser verdadeiramente livre.

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