A JORNALISTA | PARTE V | CAPÍTULO 8

A JORNALISTA | PARTE V | CAPÍTULO 8 – O Divórcio

Maria Eduarda levantou-se mal o marido saiu. Ele ia apanhar o avião das seis e quarenta da manhã e ela iria apanhar o comboio do divórcio. Tinha três dias para reunir o máximo de documentação que pudesse, quer sobre as aventuras do marido quer sobre os seus negócios. A verdade é que já tinha imensa informação sobre o assunto, mas existiam alguns dossiers que precisava de completar. Falou com os seus contactos entre os quais se encontrava um dos sócios da LTCBK e colocou o processo em marcha.
A reunião com o advogado foi longa mas muito produtiva. A prova documental que ela possuía era avassaladora: incluía fotografias, vídeos e documentos diversos.
«A senhora tem consciência que para se divorciar não necessita de apresentar a grande maioria destes documentos.»
«Sim.»
«O meu conselho é que procure um advogado de criminal para a aconselhar.»
«Penso que é importante ter na sua posse uma cópia destes documentos todos, pois isso será a nossa moeda de troca para um divórcio rápido.»
«De acordo mas sugiro que consulte alguém que a aconselhe sobre as obrigações que resultam de estar na posse destes documentos »
«Assim farei, Obrigado.»
Maria Eduarda teve uma conversa com os dois filhos para lhes explicar a sua decisão. Infelizmente não puderam estar frente a frente, porque ambos estavam nos Estados Unidos, mas a videoconferência funcionou perfeitamente. Eles eram muito mais chegados à mãe que ao pai e entenderam perfeitamente as razões dela, embora as atividades “extracurriculares” e criminais do pai tenham constituído uma surpresa. Aquele divórcio ia acabar com a família.
Mónica andava ansiosa desde que tinha regressado a Lisboa, depois de se encontrar com Perestrelo. A investigação progredia muito lentamente e ela necessitava urgentemente de ter acesso à informação que Perestrelo possuía. Para além disso precisava de saber se ele ia dar continuidade à investigação pois tinha a noção clara de que ele podia progredir mais rapidamente que ela, sobretudo, na investigação de factos internacionais e pessoas estrangeiras. Sentada na cozinha do seu pequeno apartamento olhava o mar, sentido o odor do café, que fumegava na sua frente. Tinha que ter paciência e deixá-lo fazer o luto.
Já era bastante tarde quando Jair de Lins regressou da viagem. Os negócios tinham corrido bem mas estava um pouco irritado com o facto de a esposa não ter atendido o telefone sempre que lhe ligou. A casa estava às escuras o que queira dizer que ela já se tinha deitado. Foi até ao quarto. Nada. Procurou-a por todo lado mas ela não estava em casa. Ligou-lhe, mas para variar, ela não atendeu. Pontapeou a mala com fúria. «Onde raio se meteu ela?» A ausência da fotografia dela sobre o criado mudo deixou-o em sobressalto. Correu para o guarda-fatos e as suas suspeitas confirmaram-se. Ao passar a casa em revista percebeu que nada do que era dela ali estava. Ela tinha saído definitivamente de casa.
A carta chegou no dia seguinte. O advogado dela solicitava a sua presença para discutir as condições de divórcio e sugeria que fosse acompanhado do seu próprio advogado. Aquilo vinha na pior altura, mas ele iria fazê-la pagar caro por isso. Focou-se nos negócios, pois agora precisava mais do que nunca que tudo desse certo. Ligou para  a amante. Quando se tratava de mulheres ele era um fraco e não conseguiu ficar com a boca fechada.
«Preciso do teu apoio neste processo, pois ele tem que ser muito rápido e tu só tens a ganhar com isso.»
«Podes contar comigo. Mas não vais deixar a tua mulher ficar a rir-se de ti!»
«Ainda não sei o que ela quer, mas penso que seria melhor dar-lhe mais do que tem direito só para encerrar este assunto o mais rápido possível.» Disse ela.
A amante levantou-se com brusquidão deixando a nudez dela visível a o corpo dele meio destapado. Esta vermelha de fúria.
«Vais deixar aquela cabra ficar com aquilo que é teu? O que é que ela contribuiu para construir a fortuna que tens?»
Jair de Lins arrependeu-se seriamente de ter feito a confidência à amante. As mulheres são o diabo, umas para as outras. Se fosse ela no lugar da mulher ia achar que tinha o direito a tudo, mas como era a outra… Tinha de a manter afastada do assunto o que não ia ser fácil.
«Eu preciso do teu apoio mas não do teu conselho, nem que tomes qualquer partido na questão. Senão for assim podes ir embora já!» Disse ele em tom ríspido.
Ela percebeu que tinha ido longe demais. Tinha que ter cuidado pois era provável que a mulher soubesse da existência das várias amantes dele, por isso o segredo da relação deles não devia valer nada o que significava que não tinha nenhuma capacidade negocial.
«Tens razão. Não sei o que me deu. Penso que é melhor eu mudar-me para tua casa para te poder apoiar melhor.»
«Nem pensar. A melhor forma de me ajudares é ficares quieta e calada e os nossos encontros serem em hotéis.»
Tinha sido uma boa tentativa, mas tinha falhado! Era hora de o fazer esquecer o assunto, ao qual pensava voltar mais tarde. Tinha de dar algumas ordens para garantir que tinha o dinheiro necessário para comprar a parte do americano. Foi com surpresa que percebeu que a mulher tinha arrolado todas as contas comuns. A conta particular dele não tinha dinheiro suficiente para a transação. Tinha que obter fundos das suas contas no exterior. Pegou no telefone e deu as instruções necessárias. Entretanto falou com todos os bancos para perceber se a mulher tinha retirado algum dinheiro antes de as mandar arrolar. Para sua surpresa ela não o tinha feito. «Onde irá ela buscar o dinheiro para sobreviver? O hotel onde está é em caro!» Interrogou-se.

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