Cartas na pandemia 23

Lisboa, 24/11/2020 (Portugal)

Olá Priscila,

Em primeiro lugar espero que as linhas que agora traço, entre os muitos afazeres e para não deixar a tua carta sem resposta durante muito tempo, tem encontrem bem. Neste caso este desejo não é apenas uma consideração genérica, mas um voto muito específico. Espero que a cirurgia, no caso de já ter acontecido, tenha corrido bem e que estejas em franca recuperação. Por aqui o dia de trabalho começou faz pouco tempo e os motores estão a aquecer. Assim, escrevo antes que a loucura do dia tome conta de mim.

Fiquei muito sensibilizado com o facto de teres partilhado comigo um assunto tão pessoal como a tua saúde. Ler a tua carta deixou-me com a sensação de que éramos velhos amigos e não que tínhamos acabado de nos conhecer. Friso este aspeto, porque eu próprio tive que ser sujeito a uma intervenção de urgência, em agosto, para colocar um pace-maker (penso que no Brasil usam a expressão marca-passo, mas em Portugal usamos a expressão inglesa), e é um assunto que reservo para os meus amigos.

A tua carta soube-me a pouco, como diz um grande cantor e compositor português, numa das suas mais belas canções (https://www.youtube.com/watch?v=aMKHMcS7X3g&ab_channel=RoniLironi). Deixou-me curioso e com muita vontade de saber mais de ti.  Quero conhecer os teus poemas e saber as matérias que lecionas e como vives essa experiência. Quero conhecer Sorocaba pelos teus olhos. Quero mais… Desculpa se estou a ser indiscreto, mas esse é o efeito que a tua carta deixou em mim.

Fico contente pelo facto de teres gostado do que leste no meu blog. Quando as pessoas gostam, aquilo que peço é que se tornem seguidores e que partilhem entre os amigos, para que estes também se tornem seguidores e partilhem também. O blog é a minha janela para o mundo.  O meu sonho é ter o máximo número possível de pessoas a lerem o que escrevo. Eu sei que não ganho mais nada para além da satisfação pessoal de saber que existem pessoas estão a ler, mas isso para mim é quanto basta.  Não tenho publicidade no meu blog, apesar das constantes solicitações para o efeito. Gosto de imaginar que quem vem ao meu blog, vem pela satisfação e prazer de ler e os “Pop Ups” publicitários são apenas um incómodo, uma distração que eu não quero que interfira nessa leitura. Para além disso, imagino ainda que o leitor não esteja interessado em comprimidos para a tosse e eu estou interessado em que ele tussa de emoção.

Eu escrevo, em termos literários, apenas desde 2011, mas tenho escrito muito mesmo e como tal parece que o faço há uma eternidade. A maturidade da minha escrita, como já foi qualificada por alguns, deve-se a essa intensidade e aos vários cursos de escrita criativa que me permitiram registar uma grande evolução. Só me falta mesmo ser avaliado por uma amostra significativa: uns milhares de leitores! Será que estou a pedir muito?

A forma como tu vês o teu envolvimento com a poesia e a profissão é muito bonita, é mesmo poética! fui resgata primeiro pela poesia e posteriormente pelo ofício de ser professora.” Esse tipo de sentimento implica um envolvimento e entregas, a ambas, que é admirável. Valorizar aquilo que és em função daquilo que foste e o que tens em função do mundo é também um sentimento muito nobre. É exatamente o contrário da inveja, que infelizmente é um sentimento comum. Parabéns por isso.

Termino deixando votos para que recuperes rápido da cirurgia para que possas escrever-me, contanto mais sobre ti e para que eu possa saber que estás bem.

Despeço-me, até à volta do correio, com um abraço poético.

Manuel Mota

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