CARTAS COM CONSEQUÊNCIAS

João estava à beira da rotura. Não aguentava mais a cobrança dela nem a guerra aberta em que o casamento se tinha transformado. Apetecia-lhe desaparecer dali, mas conhecia a mulher e as amigas e sabia que no momento em que abandonasse o lar elas iriam interpretar isso como uma declaração de culpa. Por outro lado, o advogado dela encarregar-se-ia de capitalizar a situação eu seu desfavor. Por isso tinha aguentado tudo, durante tanto tempo. Mas estava no limite, ao ponto de as loucuras que lhe passavam pela cabeça começaram a deixar de lhe parecer tão loucas assim.

Tudo tinha começado com um desafio. João gostava de escrever e pertencia a vários grupos de escritores no Facebook. O maior deles, com mais de vinte e um mil membros, era brasileiro, embora dele fizessem parte escritores de toda a comunidade lusófona. João aceitou o convite para participar num projeto de escrita de cartas, entre um grupo restrito de pessoas. As cartas eram livres, mas o mote era a pandemia. Naturalmente que os vários participantes acrescentavam factos pessoais, de forma a tornar as cartas estimulantes.

João escreveu umas quantas cartas, mas nem todas foram respondidas. No entanto, estabeleceu correspondência com várias pessoas, tendo trocado várias cartas com o mesmo interlocutor. Em determinada altura o coordenador do projeto sugeriu que os participantes criassem personagens e escrevessem vestindo a pele desses personagens. João já tinha feito a experiência antes e como tal tinha três personagens (heterónimos) que usava com frequência: o Poeta, o Romântico e o Viajante do Tempo.

Elaine era uma das pessoas com quem se correspondia. Ela dizia ser professora numa escola em fortaleza. João era professor universitário, na universidade do ISEF, embora também trabalhasse como consultor.  A partilha da profissão criou empatia entre eles e escreveram várias cartas um ao outro, ora em nome próprio ora assumindo um dos heterónimos. Elaine tinha um heterónimo que era uma bruxa, que se chamava Agnes Sampson e que tinha uma linguagem incomum. Definia-se de uma forma interessante e nada melhor que as suas próprias palavras para o demonstrar:

 “Sou mulher da lua e por isso sou intensa! Não nego ao meu corpo os seus desejos, não há vergonha ou pudor nisso e apesar de estar aqui há tempos observando o mundo e o que nele acontece, percebo o quanto a sexualidade ainda é abordada com tanto medo, como se fosse algo pecaminoso, secreto, proibido. Algumas coisas parecem nunca mudar!”

A carta era dirigida ao Romântico, um dos seus heterónimos. Convenhamos que o perfil divulgado, fazia antever cartas de uma natureza muito especial, pois o Romântico definia-se como:

“Não sabe em que época vive, pois vive num mundo idealizado por ele próprio, mas sempre no meio de aventuras e histórias românticas. Cada pessoa que contacta com ele é sempre “puxada” para o seu mundo e na sua mente envolve-se com ela, criando momentos que variam entre o humor e a seriedade, passando pelo ridículo. De vez em quando desce à realidade e choca com esta.”

João aceitou o desafio e vestiu a pele do Romântico, escrevendo uma carta intensa. A carta era longa, mas o seu conteúdo pode ser ilustrado pelo seguinte trecho:

“Tenho a certeza que Elaine me vai adorar. Eu estou completamente apaixonado só de te ouvir ler as cartas dela. Bem sei que todos me acham doido, mas eu sou apenas um homem que vê a realidade com olhos diferentes de todos os outros: eu sou romântico. No outro dia ouvi o poeta a ler uma descrição da Elaine e senti que ela era a minha alma gêmea. Fechei os olhos e senti o amor dela. Saboreei os seus lábios, como uma cereja doce e carnuda, e entreguei-me ao prazer de um beijo que fez explodir a minha cabeça em mil sensações maravilhosas e indescritíveis. Os seus olhos castanhos, quase negros, sorriram para mim e os seus lábios pronunciam as palavras mágicas: amo-te. Nesse mundo de fantasia, vivemos eternamente, lado a lado, vendo os nossos filhos crescer. Deixamos os nossos corpos unirem-se, numa busca faminta do prazer, que apenas essa união pode satisfazer. Na estrada da vida caminhamos lado a lado. O simples toque da mão dela na minha produziu uma sensação de prazer indescritível e de mãos dadas viajamos pelo mundo, como se ele fosse só nosso. Admirámos o pôr-do-sol com a certeza de que continuaríamos juntos quando a noite caísse e o céu se cobrisse de estrelas, ou quando e sol nascesse e voltasse a ser dia outra vez.”

A esta carta sucederam-se outras, igualmente intensas, sendo que João, em determinada altura, deixou de usar os heterónimos e passou a escrever apenas em nome próprio, utilizando o seu discurso natural que tinha um tom completamente diferente. Elaine reclamou e pediu para que fossem o Romântico ou o Poeta a responder. João recusou-se porque sentia que aquilo que tinha começado como um projeto literário estava a ser entendido, pela sua correspondente, como algo diferente. Isso para ele não fazia qualquer sentido. Às recusas em responder com os heterónimos, seguiu-se a interrupção da correspondência. João, apesar de ter ficado enfadado com o assunto, depressa o esqueceu, dando-o por encerrado. No entanto, a vida por vezes dá voltas inimagináveis, tecendo-nos armadilhas com os factos mais simples!

 Laura, a esposa de João, sabia do projeto de escrita de cartas, mas nunca se preocupou em saber pormenores, embora o facto do marido poder escrever cartas a outras mulheres a incomodasse. A verdade é que nesse projeto ele se correspondia com pessoas de ambos os géneros. Quis o destino que ela tomasse contacto com estas num contexto estranho e complexo e com um enquadramento que permita leituras incríveis, mas perfeitamente verossímeis. Ela tinha umas amigas, do tempo de escola, que viviam em Espanha. Por coincidência, uma delas, a Patricia, tinha participado num outro projeto de escrita, onde também participou uma das correspondentes do marido de Laura, de quem esta se tornou amiga. Tratava-se de Elaine.

Tudo surgiu numa conversa inocente. A Patricia comentou com Elaine que tinha recebido cartas bem interessantes e que pareciam quase declarações de amor de alguns dos correspondentes. Elaine não quis ficar atrás e enviou à Patricia quatro cartas escritas por um dos seus correspondentes. Na verdade, fez uma pequena montagem e produziu quatro documentos em pdf, todos assinados por João Cortez. As encruzilhadas da vida produzem destas coisas. As cartas eram, nem mais nem menos, as escritas pelo Romântico, heterónimo de João Cortez, a Elaine, com alguns pequenos ajustes.

De acordo com Patricia, Elaine dizia ter em sua posse outras cartas bem mais comprometedoras em que o seu correspondente lhe jurava amor eterno, com promessas de uma vida em conjunto. Enfim… “coisas de homens apaixonados” terá dito Elaine, em jeito de conclusão.  Naturalmente Elaine tinha rechaçado a suas juras de amor e colocado um ponto final à correspondência. Patricia, em nome daquela amizade canina, do tipo que destrói casamentos, falou de imediato com a Laura envenenando-lhe um coração onde a semente do ciúme já germinava. O resultado foi explosivo!

Laura acusou João de traição. Aproveitou a suposta traição virtual para transformar todas as suspeitas anteriores em verdades absolutas e cobrou-lhe tudo. A dedicação ao trabalho, o facto de gostar muito de ler, de ver televisão, de escrever, enfim… Tudo foi motivo para justificar o argumento de que fazia muito tempo que ele a tinha abandonado, de que ele não estava verdadeiramente com ela, por isso, a traição era apenas mais um passo. O último passo! Fê-lo de uma forma exuberante, em que o tom de voz e os adjetivos qualificativos estiveram bem presentes. João tinha tantas razões de queixa dela com ela teria dele, afinal estavam casados há vinte e sete anos! Apesar disso, controlou-se. Ele sabia o quão irreversível e destruidor podia ser aquilo que se diz nesse tipo de discussão, quando alimentada pela outra parte. Apesar disso, protestou a sua inocência, mas de nada valeu. Decorria o mês de janeiro de 2021 e estavam em pleno confinamento o que piorou as coisas. Laura quis que ele dormisse no sofá e João recusou-se. Ele estava inocente por isso não aceitaria ser penalizado por algo que estava apenas na cabeça dela.

As coisas não ficaram por aí. Laura transformou tudo numa disputa. Cobrava tudo o que fazia e exigia que ele fizesse até mais do que lhe competiria numa partilha saudável das tarefas. O bem mais difícil de administrar foi o comando da televisão. Laura nunca tinha ligado à televisão, mas assenhoreou-se do comando e pôs fim aos jogos de futebol ou aos filmes e séries que João adorava. A coisa complicou-se quando foram os filhos, dois jovens adolescentes, que exigiam ver os canais de desporto. Os conflitos eram permanentes. Pareciam surgir do nada e assumir proporções inimagináveis, causando um desgaste tremendo.

Tornou-se impossível viver com a Laura. Nada justificava o seu comportamento, mesmo que se aceitasse que tinha sido traída pelo marido. Os próprios filhos tomaram a defesa do pai e a família parecia prestes a desmoronar-se, da pior forma possível. João tinha tentado de tudo para fazer ouvir os seus argumentos, mas nada parecia funcionar. Laura recusava-se a ouvi-lo, fosse o que fosse que ele tivesse para dizer. Apesar de destroçado pela perca da mulher que amava, porque apesar de tudo ele continuava a amá-la, ele sentia, que não havia outra saída senão a separação. Isso deixava-o duplamente triste: pela perca dele e pela solidão dela. Os filhos foram claros. Em caso de separação eles recusavam-se a viver com a mãe.

Laura vivia num inferno. Ela idolatrava o marido, mas a insegurança e o sentimento de inferioridade que sempre a acompanhara, desde que o conhecera, tornavam tudo difícil. Ela sabia que estava a exagerar, mas não conseguia evitar. Era como se conduzisse um comboio de alta velocidade em direção ao abismo, só que em vez de segurar no travão, carregava no acelerador. Sabia o quanto estava a magoar o marido e os filhos, mas sobretudo sentia o quanto se estava a magoar a si própria. Tinha enveredado por um caminho de autodestruição e não conseguia encontrar dentro de si forças para o travar.

Era sexta feira e, pela primeira vez, desde que tudo tinha começado, João deixou que Laura fosse dormir antes dele. Tinha muito sobre que pensar e ficou acordado. Precisava de ganhar coragem para dizer a Laura tudo o que tinha para lhe dizer, sem se deixar embarcar no rolo de violência verbal em que as palavras que trocavam se tinha transformado. Por volta da três da madrugada colocou no Facebook o emoji de um rosto com uma lágrima e a mensagem “João, só e triste”. Poisou o telemóvel e recostou-se no sofá, mas não tardou muito em receber um comentário. Afinal não era o único acordado àquela hora! Ficou a olhar para o telemóvel de olhos arregalados. «Não é possível!» Disse para com os seus botões. Digitou um monossílabo e a resposta foi incrível. Será que estava ali a solução? Subitamente sentia-se cansado. Tinha tanto sono que adormeceu no sofá.

Acordou já eram dez horas da manhã e achou estranho estar tapado com uma manta, que ele não tinha ido buscar. Os ruídos que vinham da cozinha informavam que Laura já se tinha levantado, pois ainda era muito cedo para os rapazes. Ela estava a acabar de tomar o pequeno almoço e, embora não tivesse preparado o dele, deixou tudo pronto para que ele o pudesse fazer. João olhou para ela surpreendido. Era o segundo sinal, no espaço de poucas horas, de que existia uma saída para a crise. Tomaram o pequeno almoço em silêncio, mas antes de se levantarem João falou.

«Gostava de confrontar a tua amiga Patricia, mas queria pedir-te que assistisses à conversa, sem te pronunciares, para ela não perceber que estás a ouvir. Aceitas?»

Laura levantou a cabeça e olhou para ele com perplexidade. Não percebia onde ele queria chegar e teve vontade de explodir. Conteve-se, com algum esforço e encolheu os ombros.

«Duvido que ela te atenda!» Disse num tom seco.

João levantou-se e mostrou-lhe as mensagens que tinha trocado com ela durante a madrugada. Laura olhava, alternadamente, para ele e para o telefone sem perceber nada. Agora era ela que estava curiosa em relação ao telefonema.

«Bom dia Patricia.»

«Bom dia João. Imagino que estejas sozinho.»

«Sim. A Laura foi às compras.»

«Como estás? Nem quero imaginar…» Perguntou Patricia.

«Estou mal. A Laura é tudo para mim e, por mais que tente, não consigo entender porque é que a nossa relação acabou.»

«Acabou mesmo? Não existe nenhuma hipótese de voltar atrás?»

«Não. A Laura não escuta nada nem ninguém e eu atingi o meu limite. Custa-me muito dizer isto, mas acabou. Este fim de semana vamos discutir os detalhes do divórcio, isto se for possível discutir alguma coisa com ela.»

«Posso ser sincera contigo?»

«Claro que podes. Não espero outra coisa de ti.»

João enquanto falava levantou a cabeça e piscou o olho a Laura que ouvia a conversa fazendo um esforço para se conter.

«A Laura não te merece. Ela nunca soube dar-te valor. Tu mereces muito mais.»

«Não digas isso. Mesmo sabendo que vamos separar-nos eu continuo a amá-la. Sou eu que não a mereço.» Disse João, com a voz embargada.

«Isso é porque tu és um homem maravilhoso, que merece ter ao lado uma mulher à sua altura e que te saiba dar valor.»

«A Laura esteve sempre à minha altura. Isto só está a acontecer porque ela foi envenenada por alguém. O que foi que tu lhe disseste?»

«Estás completamente enganado em relação à Laura. Ela é maluca. Eu sei que ela é minha amiga, mas eu sempre soube que ela é bipolar. Tu tens que sair dessa casa o mais rápido possível. Se quiseres podes ficar no meu apartamento aí em Lisboa. Aos fins de semana eu posso ir ter contigo. Sabes que podes contar comigo para tudo. Para tudo mesmo! Até para ficar ao teu lado o resto da vida.»

«Obrigado. Tu és uma verdadeira amiga.»

João pronunciou as palavras num tom diferente. Laura tinha o privilégio de poder ver a expressão do rosto dele, onde a ironia era patente. Por seu lado ela estava possessa. O rosto congestionado dava a sensação de que ela ia explodir a qualquer momento. João sorriu-lhe ao mesmo tempo que colocava um dedo nos lábios, pedindo-lhe silêncio, num apelo mudo. Foi um sorriso terno e carregado de amor. A raiva dela desvaneceu-se e com um suspiro profundo acenou afirmativamente com a cabeça. Ouviria tudo até ao fim.

«Posso ser muito mais do que isso.»

«Mas afinal como é que tudo isto começou.»

«Eu contei à Laura uma conversa com a Elaine, sem fazer ideia que o João em causa eras tu. Ela é que fez de imediato a associação e ficou completamente passada. Eu ainda tentei desvalorizar o assunto dizendo que a Elaine apenas dissera que tinha ficado impressionada com a beleza da tua escrita, mas de nada a adiantou. Ela entrou numa espiral de ciúme incontrolável e deixou vir ao de cima a faceta bipolar. Até eu, que a conheço bem, fiquei impressionada. Devo dizer-te que a reação dela foi tão estranha que quase me pareceu uma desculpa.»

«Uma desculpa para quê?»

«Não me admirava nada que ela apenas estivesse à procura de um pretexto para se separar de ti, como vítima e tivesse ela própria um amante.»

«Como? Isso não é possível!»

«Tu és demasiado ingénuo.»

«Porque dizes isso?»

«A Laura sempre teve homens interessados nela a as saídas à noite, que tu permitias, eram verdadeiras escapadelas.»

«Eu sei que eram escapadelas. Ela saía com as amigas ou com os colegas e não vejo mal nenhum nessas escapadelas.»

«Não haveria mal nenhum se ela não se enrolasse com eles.»

«Isso aconteceu alguma vez?»

«Bom eu não estava lá para ver, mas a forma como ela falava de alguns colegas era no mínimo suspeita. Se tivesse que apostar diria que ela se divertiu nas tuas costas, vezes sem conta.»

João já não conseguia ouvir mais aqueles disparates e decidiu colocar um fim à conversa, até porque Laura estava completamente transtornada. A expressão dela oscilava entre o incrédulo e o espanto, passando pela raiva pura.

«Olha a Laura está a chegar. Falamos noutra altura.»

«Até mais. Beijos.»

Quando desligou a Laura estava com o rosto entre as mãos e chorava convulsivamente. Os filhos, que, entretanto, se tinham levantado também tinham escutado a última parte da conversa. João ajudou Laura a sentar-se na cadeira do escritório e ligou o computador, fazendo desfilar na sua frente os emails onde ele colocava um fim à correspondência com Elaine e ela protestava, declarando o seu amor. A única dúvida era se tinha sido Elaine ou a Patricia a contar a história ao contrário. João não tinha dúvidas de que tinha sido a Patricia.

Laura ficou completamente arrasada. Parecia que não tinha forças para nada. Levantou o rosto à espera de ver a critica e censura no rosto do João e dos filhos, mas viu apenas amor. A família dela amava-a! Tinha sido ela a criar a situação que os tinha afastado. O mês de janeiro tinha sido um inferno, mas ainda bem que tinha chegado ao fim.

Ela caiu de joelhos e declarou o seu amor ao homem da sua vida. Ela amava-o e respeitava-o de uma forma que nem sabia explicar e isso dava-lhe medo. Tinha medo de não estar à altura dele e de o perder. Era isso que provocava as reações dela. Parecia que o agredia para o diminuir ou para diminuir o amor que sentia por ele, procurando sofrer menos com esse medo de o perder.

João segurou-a pelas mãos, fê-la levantar e disse-lhe que ela não tinha razão nenhuma para sentir esse medo. Ela estava à altura dele e a prova é que ao fim de vinte e sete anos ele continuava ao seu lado e a amava ainda mais do que no primeiro dia.

Eles tinham aberto uma ferida profunda que levaria tempo a sarar, mas o amor mútuo, que ambos confessaram, iria ser um balsamo reparador que iria ajudá-los. O importante era que mantivessem o diálogo para não deixar abrir mais rachas na solidez da fortaleza que era o seu casamento.

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