RESPOSTA-AMOR SIMPLESMENTE

Quando recebi o teu email, não percebi de imediato que eras tu o emissor, mas quando o realizei, fiquei num estado indescritível. A minha mão tremia de tal forma, que tive dificuldade em abri-lo e ler a tua carta. Li-a com sofreguidão e ansiedade e, quando percebi o teu sofrimento, desabei. A minha alma desfez-se em lágrimas e o meu corpo gritou comigo, exaltado, num protesto que nunca tinha sentido. Doía-me o corpo, doía-me a alma e até o pensamento.  Eu era duplamente culpada pelo teu sofrimento. Logo eu que só queria que tu me deixasses amar-te!

O nosso encontro foi ditado pelo destino. Eu descia as escadas absorvida pelos meus pensamentos. Tinha acabado um relacionamento fazia pouco tempo. Um relacionamento que me fazia mal, mas ao qual eu acabava sempre por regressar e tudo perdoar. Nessas escadas e nesse dia, eu tinha feito o voto de não mais ceder. Queria seguir um rumo diferente com a minha vida. Não reparei no jovem apressado que descia, pelo lado direito e coloquei-me na sua frente. A partir desse momento tudo aconteceu tão rapidamente, que me é impossível narrar os acontecimentos. Lembro-me apenas da tua expressão de espanto, ao ver-me voar na tua direção e de ter um pensamento estranho. «Por que será que ele me está a agarrar os seios?» Ao contrário do que seria expetável e mesmo não te conhecendo de lado nenhum, senti um prazer invulgar ao ser segurada dessa forma. Isso fez com que olhasse para ti de uma forma diferente, quando tive a possibilidade de o fazer.

Tu eras claramente mais velho do que eu. Eu tinha vinte e cinco anos e considerava impensável estar com um homem que fosse mais velho do que isso. Talvez um ou dois anos mais velho fosse aceitável. Apesar disso, fiquei a olhar para ti encantada. Quando os paramédicos disseram a tua idade foi um choque. Tu eras dez anos mais velho do que eu! Mas, tu tinhas salvo a minha vida, por isso, fiquei contigo até ter a certeza que estavas bem. Durante uma semana debati-me contra mim própria. Tu não saías do meu pensamento e o meu coração acelerava cada vez que imaginava o olhar que me dirigiste, quando te abracei no hospital.  Enganava-me a mim própria, dizendo que era gratidão o que sentia por ti, até que o meu coração venceu a primeira batalha: Aquilo que sentia por ti era muito mais do que gratidão, embora essa também lá estivesse. Eu desejava o teu toque. Os meus lábios ansiavam pelos teus e toda eu tremia quando revivia a sensação de ter as tuas mãos segurando os meus seios. Os sintomas eram claros: eu estava apaixonada por ti.

Ganhei coragem para te convidar para dançar, num local onde sabia que teria o suporte dos meus amigos. Eles podiam resgatar-me a qualquer momento e foi isso que aconteceu. O que eu não estava à espera era do teu convite para jantar, nem daquilo que aconteceu entre nós. Quando me seguraste a mão e nos beijamos a terra tremeu e eu tremi com ela. Foi como se todo o universo rodopiasse e eu encontrasse nos teus braços o abrigo de um porto seguro. A tua presença fez com que esquecesse o mundo e era como se apenas existíssemos nós os dois. Isso foi um erro porque também me fez esquecer o que tinha combinado com os amigos. Quando me separaram de ti, vi a tua expressão de surpresa e ciúme. Nessa altura percebi que te estava a fazer mal e disse ao meu amigo que iria voltar para os teus braços, mas, entretanto, tinhas desaparecido em direção ao bar. Antes de regressares eu tive de me ausentar, porque uma necessidade física assim o exigiu.

Regressei à pista leve e expectante, esperando encontrar o brilho do teu olhar, mas nessa altura soube que tinhas partido. A alegria e a felicidade desvaneceram-se como que por magia. Tu tinhas-me abandonado! No princípio culpei-te depois percebi que tinha sido eu a causadora de tudo. O dilema tinha regressado: o coração sangrava por ti, enquanto o pensamento me dizia que te tinha perdido. Tal como tu passei a pior noite da minha vida. Não consegui dormir, encolhida e escondida, emparedada entre o medo de ver o meu telefonema rejeitado e o terror de te perder, por não te ligar. O dia não trouxe nada de novo a não ser o cansaço que começava a tomar conta de mim. Apenas depois do almoço dormitei um pouco. Foi um sono leve e povoado de sonhos maus. Em todos eles eu tinha de enfrentar o pior dos cenários que conseguia imaginar: viver sem ti.

Cansada de sofrer decidi colocar um fim à agonia em que me encontrava. Peguei no telefone no exato momento em que o teu email chegou. Sim, com já disse, chorei. Chorei num misto de felicidade e dor, que me levaram à exaustão. Uma dor que era o espelho do teu sofrimento, amplificada pela consciência de que tinha sido eu a provocar esse sofrimento, com a minha insensatez. Escrevo estas linhas, salpicadas pelas lágrimas, que teimam em escorrer pela face. A dor de te ter causado sofrimento é apenas igualada pela felicidade de saber o quanto me amas. Oh! Se soubesses o quanto eu te amo…

Eu não tenho palavras para descrever aquilo que sinto. Olho-me ao espelho e não me reconheço. Amar alguém com quem acabei de me cruzar, parece-me surreal, no entanto, a dor e a felicidade que sinto são bem reais. Parece algo apenas possível no mundo da fantasia, ou devido a qualquer magia ou patranha do universo. Seja qual for a razão, sinto que tu és o propósito da minha vida, como se esta tivesse sido planeada de forma a que te encontrasse neste momento e doravante ficássemos unidos, para todo o sempre. Não apenas nessa vida, mas para a eternidade.

Exausta, mas feliz, sonho. Sonho contigo. Sonho com a vida. Uma vida a teu lado, onde todos os momentos são nossos, numa partilha que amplifica os momentos bons e ameniza os menos bons, abrindo as portas da verdadeira felicidade. O meu corpo anseia pelo teu, com um fervor que o torna febril e a fogueira do desejo consome-me, alimentada pelo oxigénio do espaço que nos separa, numa ânsia de o esvaziar, aproximando-nos, fisicamente. Interrompo a escrita e fecho os olhos visualizando a tua imagem. O meu coração acelera, invadido por uma comoção, que, primeiro o abala e depois o relaxa. Vejo o brilho no teu olhar e a bondade no teu sorriso e uma certeza de que me amas invade cada uma das células do meu corpo, proporcionando-me um prazer apaziguador da dor.

Sou e sempre serei tua. Digo-o com toda a frontalidade e com a certeza de quem viveu pensando ter-te perdido e sentiu a impossibilidade de continuar a viver sem ti. Brevemente o cansaço tomará conta de mim, mas amanhã será outro dia e eu quero começá-lo ao teu lado, por isso, te proponho um encontro na Versalhes, às sete horas da manhã, para que os meus olhos matem a sede dos teus e o meu corpo sacie a fome de afetos, que só tu podes satisfazer.

Tua para sempre.

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