A OUTRA

A OUTRA Lisboa, hospital Lusíadas. O monitor do UTI disparou. «Emergência quarto 12» Gritou uma enfermeira. A mulher sentiu que despertava. Na memória, a imagem vaga dos polícias e ambulância «Será que tudo não passou de um sonho?» Interrogou-se. O corpo manietado e aquela sensação de frio, que lhe invadia as entranhas, estavam bem presentes. … Continue reading A OUTRA

O RAPTO

ORAPTO Instintivamente tentou levantar-se. Liberdade, o alimento da vontade! Força, provinha da noite bem dormida. Esforço vão! Raiva. Frustração. Estava de volta à floresta! O corpo manietado e aquela sensação de frio, que lhe invadia as entranhas, eram uma memória bem presente. O medo tomou novamente conta dela e o corpo entrou em convulsões. Tempos … Continue reading O RAPTO

OS SONHOS

OS SONHOS Quase sem fôlego corro na escuridão. Um túnel de negridão adensa-se à minha volta. Agita-se, comprime-me, persegue-me, estendendo as garras para me aprisionar. A instantes flashes de luz invadem-me os sentidos. Não os vejo, nem sequer os sinto, mas pressinto-os. Atrás de mim, a escuridão toma a forma de um monstro que me … Continue reading OS SONHOS

SEPARADOS

SEPARADOS Carol deixou o telefone tocar. Já não era a primeira vez que ligava e ele ou não atendia ou demorava uma eternidade a fazê-lo. O telefone continuava a tocar. Não tardava muito ia ser atendida pelo gravador de chamadas.  «Bom dia. Armazém dos Laboratórios Marvis, quem fala!»  Ela ficou gelada. O seu coração caiu-lhe … Continue reading SEPARADOS

A SÓSIA

 A SÓSIA A mulher sentiu que despertava. Na memória, a imagem vaga da ambulância, dos polícias e tiros. «Será que tudo não passou de um sonho?» Interrogou-se. O corpo manietado e aquela sensação de frio, que lhe invadia as entranhas, estavam bem presentes. Tempos horríveis! O medo tomou novamente conta dela e o corpo entrou … Continue reading A SÓSIA

COINCIDÊNCIAS

COINCIDÊNCIAS Humberto saiu do escritório logo que a reunião do conselho de administração terminou. Eram dezoito horas. Vitor, o sócio maioritário, já se tinha acostumado às saídas intempestivas e, embora o colega e amigo não fizesse confidências sobre o assunto, pairava no ar um clima de romance. Ao vê-lo sair assim, desaustinado, como que em … Continue reading COINCIDÊNCIAS

AMOR POR CORRESPONDÊNCIA

AMOR POR CORRESPONDÊNCIA O homem, debruçado sobre o corpo da jovem, chorava copiosamente. As lágrimas escorriam-lhe pela face, sem que este fizesse esforço algum para as reter, caindo em torrente sobre a mulher, como se quisessem animar novamente aquele corpo sem vida. Eram lágrimas de arrependimento, mas o mal estava feito! A causa de tudo … Continue reading AMOR POR CORRESPONDÊNCIA

O AMIGO DA ONÇA

O AMIGO O verão parecia não querer chegar ao fim. Os dias continuavam quentes, as noites amenas e as desgraças sucediam-se. Fogos súbitos consumiam as florestas transformando as paisagens campestres, normalmente calmas e pacíficas, num inferno de chamas, onde as colunas de fogo consumiam tudo o que se encontrava no seu caminho, sem clemência, nem … Continue reading O AMIGO DA ONÇA

A TRAIÇÃO

A TRAIÇÃO Estávamos no início da primavera de 2011. As árvores, em flor, já coloriam a cidade, emprestando-lhe um tom alegre, tendo-a obrigado a despir o manto cinzento que vestira no outono. Apesar disso, o tempo mantinha-se chuvoso e frio. Ricardo Jorge abriu o envelope, deixado pelo detetive privado, com curiosidade mas sem pressa. A … Continue reading A TRAIÇÃO

ESTADO DE SÍTIO

ESTADO DE SÍTIO A casa, aquecida por meses sucessivos de calor, tornou-se desconfortável, assemelhando-se a uma fornalha  industrial, diferente do local aconchegante  e protetor que sempre fora. O seu lar, refúgio passado de tantos momentos difíceis, recusava-se a proporcionar-lhe aquilo por que mais ansiava, o descanso do corpo e a paz do espírito. O calor, … Continue reading ESTADO DE SÍTIO