A AMIGA DO IRMÃO

A AMIGA DO IRMÃO


Amélia era a todos os títulos o melhor partido da aldeia. Filha de um abastado proprietário, dividia o património com a irmã mais velha, sorte que o pai lamentava, pois sempre tinha querido um filho varão. Isso não o impedia de amar as duas filhas ao ponto de as idolatrar. Queria que elas tivessem uma sorte diferente da sua, a começar pela educação, pelo que eram das poucas moças da aldeia que estudaram até ao sétimo ano do liceu. A universidade era outra história: ele não estava preparado para as deixar ir, sozinhas, para o Porto, cidade mais próxima de Vila Real, onde a podiam frequentar. A irmã nunca quis estudar, mas Amélia ainda tentou, mas mesmo com o apoio da mãe, uma mulher com visão, foi tudo em vão.

«Não quero sequer imaginar a minha filha sozinha, no meio do bando de galifões, que são estes pretendentes a doutores!»

Manuel conheceu Amélia quando estava no quinto ano. A primavera tinha começado e ele fazia o caminho entre a casa e a escola a pé, com o irmão. Francisco era mais velho que ele três anos e andava no sétimo ano. Amélia, apesar de ser apenas dois anos mais velha que Manuel, era colega do irmão e naquele dia juntou-se a eles. Durante o trajeto, que durava uma hora, travou-se o primeiro contacto. Vivendo na mesma aldeia, Manuel já a conhecia, mas nunca tinham falado, dado ela ser mais velha. Rosa também se tinha juntado ao grupo e embora não vivesse na mesma aldeia, fazia a pé uma parte comum do trajeto: Francisco só tinha olhos para ela. Manuel e Amélia caminhavam lado a lado. Ele olhou-a e percebeu o quão bonita ela era. Os cabelos claros emolduravam um rosto marcado por um nariz pequeno e perfeito, mas arrebitado, uns lábios carnudos, que se abriam num sorriso devastador e uns olhos azuis, que pareciam um mar onde ele se perdeu, no primeiro olhar. O conjunto era realmente bonito. Como se isso não fosse suficiente, Amélia era alta e elegante, ficando perfeita ao lado do seu metro e oitenta de altura.

A conversa entre ele fluiu facilmente, sobretudo porque Amélia estava interessada em Francisco e fez do irmão seu confidente. Manuel assumiu o papel de bom grado, mas à medida que os dias foram passando, os seus sentimentos evoluíram e rapidamente passaram de uma mera admiração, para uma paixão, que se transformou num amor profundo.

Francisco não gostava de andar a pé e, quando a Rosa não vinha com eles, optava pela camioneta. Amélia e Manuel passaram a fazer o caminho sozinhos e, todos os dias, no regresso a casa passavam uma hora juntos. Ao fim do primeiro mês passaram a encontrar-se também aos domingos. O pretexto era o Francisco, mas a verdade é que falavam cada vez menos do irmão e muito mais sobre eles.

«Só nós podemos encontrar ao domingo, porque nós temos de trabalhar no campo. Vocês têm sorte, pois apenas estudam e não têm de trabalhar no campo.»

Manuel soltou uma gargalhada sonora que a apanhou de surpresa. Amélia olhou-o de forma interrogadora e ele explicou-lhe como era a sua vida. Na verdade, trabalhava no campo logo de madrugada, antes de ir para a escola e ao fim do dia, até depois do sol se pôr. Quanto a férias e fins de semana, era um conceito que ele desconhecia. Amélia olhou para ele de forma apreciativa. Ela sabia que ele era um aluno brilhante, tendo até recebido alguns prémios, mas saber que também era um excelente trabalhador engrandeceu-o de uma forma que ela apenas mais tarde percebeu verdadeiramente. Eles estavam tantas vezes juntos que a aldeia começou a murmurar e toda a gente dizia que eram namorados. Eles riam-se dos mexericos e não comentavam. Ninguém perceberia a amizade que os unia. Os pais de Amélia, convencidos de que eles eram namorados, nem queriam acreditar na sorte da filha. Manuel era um excelente partido. Era filho de um dos proprietários mais respeitados da aldeia, mas era também um aluno brilhante e um excelente trabalhador: seria o filho que eles nunca tiveram. Os sonhos estavam condenados, mas nessa altura eles ainda não o sabiam.

Durante os dois anos seguintes eles continuaram a encontrar-se e nesse interregno o irmão acabou por namorar com ela durante algum tempo. Foi um namoro breve e muito distante. Afinal ela não gostava de Francisco. O tempo passou e Manuel acabou por ir para Lisboa para a universidade. Tinha entrado em medicina: queria ser cirurgião. Amélia ficou triste, pois perdeu o seu amigo e, além de lhe escrever várias cartas, ansiava pelo seu regresso à aldeia, em todos os períodos de férias. Nessa altura ela designava-o como o seu melhor amigo. No fim do primeiro ano Manuel trouxe uma amiga para passar o mês de Agosto em casa dos pais. A aldeia fez logo o seu juízo: Manuel tinha trazido a noiva para conhecer os pais. Amélia, quando soube da notícia, foi invadida por uma tristeza que tomou conta dela. Isolou-se e deixou de se alimentar convenientemente, caindo numa prostração que fazia adivinhar o pior. Manuel passou o verão ocupado e não teve sequer tempo de ir visitar Amélia. Ele penalizava-se por isso, mas a verdade é que lhe fazia cada vez pior estar com a mulher que amava e receber apenas a sua amizade em troca. Isso fez com que ela acreditasse na história do noivado. A situação de Amélia manteve-se durante todo o verão, mas agravou-se com a partida de Manuel para Lisboa, em meados de Setembro.

Quando chegou o natal Manuel veio passar a época festiva com os pais. Nessa altura soube que Amélia já não saía da cama desde Novembro. Os médicos diziam que ela não tinha nenhuma doença e que o seu problema era recusar-se a viver. Manuel chegou num sábado e no domingo cruzou-se com o pai de Amélia, no adro da igreja e perguntou pela filha. O pai não conseguiu responder e desfez-se em lágrimas.

«Posso vir visitá-la depois da missa?»

«Tu serás sempre bem-vindo meu filho, mas acho melhor falar com ela primeiro, para lhe dar tempo para se preparar. Ela tem-se recusado a receber visitas.»

«Então irei por volta das quatro da tarde.»

«Esperemos que a neve te deixe fazer o caminho.» Disse o pai dela, com a propriedade de um saber de experiência feito.

Manuel sorriu. «Não serão uns flocos de neve que me impedirão de ver o amor da minha vida!» Pensou.

Manuel vivia a quase dois quilómetros da aldeia e o regresso a casa já foi feito debaixo de neve. Os flocos foram aumentando de intensidade e tamanho e quando entrou em casa, com a família, às dez e trinta, já nevava com uma intensidade que convidava ao recolhimento. Nunca se tinha visto um nevão daquela dimensão e intensidade. Pela hora de almoço já se tinham acumulado dez centímetros de neve e às quatro da tarde os caminhos estavam intransitáveis e a neve tinha vinte e cinco centímetros de altura, continuando a cair com a mesma intensidade. Era impensável sair de casa.

«O Manuel hoje não vem.»

«A nossa filha vai ficar ainda pior, quando lhe dissermos isso. Parecia que tinha ganho uma nova vida. Foi a primeira vez, nos últimos meses, que a vi arranjar-se com tanto gosto.» Disse a esposa.

«Ela gosta dele não é verdade?»

«E já te disse várias vezes a doença dela não é mais do que um mal de amor!» Respondeu a mulher, com um olhar ausente.

Tinha-se acostumado ao marido, gostava dele como companheiro e sempre lhe fora fiel, mas não tinha sido ele o eleito do seu coração. A vida dera-lhe um excelente marido e duas filhas extraordinárias, mas o coração nunca tinha esquecido o amor da sua vida. Tinha sido mais forte que a filha e não se tinha deixado sucumbir, mas tinha pago bem caro por abafar o amor que ainda a consumia. A filha tinha escolhido outro caminho…

Manuel estava desesperado, mas a verdade é que não existia forma nenhuma de fazer o caminho até à aldeia. A neve acumulava-se a uma velocidade estonteante. Era um daqueles fenómenos com que a mãe natureza nos brinda cada vez mais a miúde: de uma forma ou outra, o homem acaba sempre por pagar pelo mal que faz ao planeta. Eles viviam afastados da aldeia e o único vizinho acabava de chegar a casa. O som da máquina a trabalhar era perfeitamente audível, mas o equipamento não era visível das janelas da grande cozinha, onde estava toda a família à volta da lareira.

«O Joaquim deve estar a chegar do Marão.» Disse a mãe.

«Como? É impossível transitar nas estradas com este tempo!» Disse Manuel.

«Ele é o novo operador de limpa neves do Marão. Comprou uma máquina e quando a neve é muita acabam por chamá-lo.»

Manuel não pensou duas vezes. Levantou-se, vestiu mais uma camisola, pegou no casacão e calçou as galochas, metendo num saco as botas. Enquanto fazia isso, esclareceu os pais das suas intenções e estes perceberam que era inútil tentar demovê-lo. O vizinho era apenas uns anos mais velho que Manuel e este já o tinha ajudado várias vezes, pelo que não se fez rogado e emprestou-lhe o trator grande. Se fosse devagar conseguiria chegar à aldeia

Entretanto, em casa de Amélia a tristeza era generalizada.

«Ele não vem. Eu sabia que era bom demais para ser verdade.» Dizia Amélia com os olhos rasos de água e num tom tão triste que cortava o coração.

A mãe abraçou-a e chorou com ela. Já eram cinco e meia e continuava a nevar como se não houvesse amanhã.

«Minha filha, não é possível andar na rua, nem de carro. A culpa não é dele. Ele virá noutra altura.»

«Não mãe ele não vem hoje nem nunca. Eu devia ter-lhe falado do meu amor. Tive medo e sempre lhe disse que éramos apenas amigos… A verdade é que se ele me amasse de verdade não havia nevão que o pudesse travar.»

«Minha filha não sejas tão dura com ele. Era preciso um super-homem para fazer o caminho de casa dele até aqui e ao contrário do que tu pensas o amor não move montanhas.»

As palavras foram pronunciadas com uma tristeza e uma convicção que a filha ficou a olhar para a mãe com espanto. Abraçaram-se e deixaram o diálogo por conta das lágrimas.

«Vou voltar para a cama. Já nada vale a pena! Preciso de descansar.»

Amélia refugiou-se no quarto e fechou a porta à chave. A única pessoa que queria ver não viria e ela não queria ver mais ninguém, nem os pais. Ouviu as pancadas na porta da rua, com indiferença. Puxou os cobertores para cima e tapou a cabeça: não queria ouvir sequer as vozes dos visitantes. Só lhe apetecia desaparecer. Aquele amor consumia-lhes as energias. Sentiu-se febril e puxou mais um dos cobertores que estava ao fundo da cama.

«Boa tarde. Estava a ver que não conseguia chegar cá!» Disse Manuel, num tom jovial.

O pai de Amélia ficou a olhar para ele boquiaberto. O seu espanto era tal que nem o convidou a entrar. A esposa veio lá de dentro a correr e gritou:

«Onde tens a cabeça? Deixa o rapaz entrar que ele ainda congela aí parado, na porta de entrada.»

Manuel tirou o casacão. Era pesado e quente demais para usar dentro de casa.

«Como foi possível chegares aqui com este tempo?

«É impossível andar na rua, nem de carro. O Joaquim Mocho emprestou-me o trator grande. Onde está Amélia?»

«Ela já não acreditava que viesses e refugiou-se no quarto.» Disse a mãe.

«Posso vê-la?»

A mãe acompanhou-o até à porta do quarto dela e deixou-o só. Manuel bateu com os nós dos dedos na porta em modo SOS. O silêncio foi a única resposta que obteve. Voltou a insistir no toque, agora com mais força.

«Não quero ver ninguém. Vão embora!» Disse ela, num tom quase inaudível.

«Amélia abre a porta por favor!»

Amélia apanhou um susto. Aquela voz… Devia estar a sonhar! Estava muito fraca e o esforço da tarde tinha-lhe esgotado as forças. Muito a custo virou-se na cama e soergueu a cabeça. A cabeça andava às voltas e devia estar a pregar-lhe partidas. Primeiro pareceu-lhe ouvir a batida do Manuel, agora a voz dele. Escutou durante alguns momentos e o toque voltou a ouvir-se. Ela tentou levantar-se, mas faltavam-se as forças. O coração batia de forma descompassado e uma grande alegria tomou conta dela, mas por mais poderoso que o amor fosse o físico tinha os seus limites.

«Amélia deixa-me entrar por favor!»

Não havia dúvidas de que era ele. Definitivamente não estava a sonhar. Fazendo um esforço quase sobre-humano saiu da cama e arrastou-se, literalmente, até à porta. Com voz sumida e quase sem forças, disse:

«Não vás embora, já vou…»

Do outro lado da porta Manuel pareceu-lhe ouvir dizer:

«Vai embora…» seguido de outras palavras que não percebeu.

«Por favor!» Voltou a insistir.

Esperou um pouco, mas a até si apenas chegou o ruído de qualquer coisa a ser arrastada pelo chão. «Ela está a bloquear a porta!» Pensou. Com o coração despedaçado afastou-se e foi ter com os pais dela. Eles tinham estado à escuta e leram no rosto dele a desilusão. Era incrível que aqueles dois não se entendessem, pois amor parecia não faltar. Manuel despediu-se dos pais com o coração apertado a as lágrimas brotaram-lhe no momento em que a mãe dela o beijou na face.

«Vai com Deus meu filho, que ele te ilumine e faça de ti tão feliz quanto mereces.»

Entretanto, Amélia estava já encostada à porta e tentava pôr-se de pé. O estado de ansiedade era indescritível. O coração batia acelerado e a vontade era de voar para os braços dele, mas o corpo resistia. A sua felicidade estava do outro lado da porta, ela apenas tinha de a abrir. Deu a volta à chave sem imaginar que ele já tinha partido. Quando não o viu do outro lado o corpo tombou no chão e um grito lancinante ouviu-se por todo o bairro.

«Não!»

Os pais correram para o quarto e encontraram-na desmaiada no chão, junto à ombreira da porta. Manuel estava sentado dentro do trator, deixando que a emoção extravasasse. Os soluços saiam em convulsões. A sua última esperança tinha morrido. Ela nunca quisera mais do que a sua amizade. O melhor era ele seguir com a sua vida. O grito fez com que desse um salto. Havia alguém que estava em grande aflição. Pensou o pior: tinha acontecido algo a Amélia e a mãe dela gritava de dor. Correu como louco e quase deitava a porta abaixo aos murros. O pai dela abriu a porta e limitou-se a apontar para o quarto. Amélia estava desmaiada nos braços da mãe que, entretanto, a tinha levado para o leito, um leito que parecia de morte. A mãe chorava baixinho e quando ele chegou, saiu do quarto. Não havia nada que ela pudesse fazer. O pai já tinha ligado para o 115, mas este não viria: era impossível chegar à aldeia. Manuel sentou-se na borda da cama e acariciou-lhe o rosto. Ela estava fria. Uma lividez tinha tomado conta do rosto e o corpo não dava sinais de qualquer sopro de vida. Com carinho, de forma gentil, foi falando com ela. Disse-lhe o quanto a amava e como precisava dela a seu lado. Disse-lhe que ela não podia partir sem ouvir dos lábios dele o quanto a amava, desde o primeiro dia que caminharam lado a lado. Depositou beijos carinhoso no rosto dela e deitou-se a seu lado, procurando aquecer-lhe o corpo, ao mesmo tempo que repetia incessantemente o quanto a amava e precisava dela. O pai de Amélia ainda tentou protestar quando os viu deitados lado a lado, mas a esposa, pondo-se em bicos de pés, correu com ele. Luís nunca tinha imaginado que a mulher fosse capaz de tal bravata.

«Se queres que a tua filha viva, deixa-os estar aos dois. Se alguém consegue esse milagre será o Manuel.» Disse com os olhos rasos de lágrimas.

Ela sabia bem qual era o poder do amor. Luís afastou-se. Custava-lhe entregar a salvação da filha a um homem que nem sequer era namorado dela, mas se esse era o preço a pagar, então que fosse. Ele pagaria, de bom grado, qualquer preço.

Ao fim de alguns minutos o corpo de Amélia começou a aquecer e lentamente ela regressou à vida. A princípio pensou que tivesse morrido e estivesse no paraíso. O que era estranho era o Manuel estar ali ao lado dela. Depois tomou consciência de que estava viva e que ele estava mesmo ali a seu lado. Abandonou-se àquela sensação e quase voltou a perder os sentidos. Manuel chamava por ela e pedia-lhe para ficar acordada. Valeram-lhe os conhecimentos de medicina que já tinha adquirido. Os pais dele foram informados que ele passaria a noite com Amélia, com o consentimento dos pais dela. Manuel velou por ela nessa noite e nos dias que se seguiram. O Natal era no sábado seguinte e nessa altura já ela caminhava pela casa, com dificuldade, mas sem restrições. Continuava muito magra mas o rosto transpirava vida e felicidade. O medo de todos era que ela recaísse quando ele regressasse a Lisboa. Manuel encontrou a solução para o problema. Ele tinha três amigas que viviam num apartamento e precisavam de uma quarta, para ocupar o último quarto. Amélia iria para Lisboa com ele e iria tentar entrar na faculdade de letras na segunda fase de candidaturas. O pai não a queria deixar ir, mas a mãe consegui convencê-lo e no final de Abril Amélia estava a iniciar o primeiro ano letivo. Nessa altura, ela tinha voltado a ostentar a beleza de outrora. Diziam as más línguas que ainda estava mais bonita. De facto, era verdade: o amor faz maravilhas!

Manuel e Amélia terminaram os respetivos cursos e depois disso decidiram casar-se. O amor deles não tinha parado de crescer e apesar das diferenças de opinião, sobre vários aspetos da vida e dos feitio de cada um, conseguiram um equilíbrio que fazia deles um casal invejado. Amavam-se, mas isso não era tudo, cultivavam a felicidade um do outro, numa partilha plena, das pequenas e das grandes coisas. O diálogo, a compreensão, a partilha, o respeito e o amor eram os ingredientes da sua felicidade.

 

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