A JORNALISTA | PARE VII | CAPÍTULO 5

A JORNALISTA | PARE VII | CAPÍTULO 5 – A Charada

Marcus não viajou incógnito, mas decidiu não anunciar formalmente a sua visita às autoridades portuguesas. A viagem era privada e ele queria mantê-la dessa forma. Maria Eduarda, depois de osculada na face, abraçou-o com entusiasmo. Ele retribuiu o abraço e no momento em que ela se ia separa dele, atraiu-a para si e beijou-a na boca. Era tudo o que ela desejava. Entregaram-se àquele beijo com paixão, mostrando o desejo que lhes consumia os corpos. Marcus parecia adivinhar os desejos secretos dela. Primeiro amou-a com carinho e com paixão, depois subjugou-a, submetendo-a ao castigo físico e colocando em posições em que expunha as suas intimidades de forma pecaminosa. Ao ver o prazer que ela tinha com isso castigava-a e admoestava-a pelo facto. Isso ainda lhe dava maior prazer. Maria Eduarda teve tantos orgasmos seguidos que sucumbiu à exaustão. Macus aproveitou para descansar, deitado ao seu lado, pois também ele estava exausto. Maria Eduarda tinha verdadeiro prazer no ato sexual, mas, sobretudo, sabia como dar prazer ao seu parceiro. Tinham passado a tarde na cama e decidiram ir jantar fora. Maria Eduarda levou-o ao Belcanto e depois foram ouvir música. A noite de Lisboa era rica e bem frequentada, mas aquilo que ele mais apreciou foi a sensação de segurança. Sentiam-se bem na companhia um do outro e a atração, entre eles, era evidente. Passaram o resto da noite a satisfazer o desejo que os consumia. Marcus, desta vez, foi bastante mais bruto com ela. Amarrou-a e castigou-a, chegando mesmo a humilhá-la, mas nada parecia ser excessivo para ela. Usou os orifícios do corpo dela sem cerimónia e o prazer que ela sentia com isso deixou-o completamente louco. Foi a vez de ele cair para o lado exausto. Ela adormeceu ao lado dele acariciando-o. Nunca nenhum homem tinha ido tão longe com ela, nem imaginara que pudesse gostar tanto disso. «Sou uma metrómana!» Disse para si própria.

Marcus abriu os olhos e olhou para a mulher deitada a seu lado. Os cabelos repousavam no travesseio, meios enrolados, deixando um dos ombros a descoberto. Destapou-a gentilmente, para não a acordar e admirou o corpo esbelto de Maria Eduarda. Ainda que a dormir, corpo dela reagiu de imediato. Acariciou e beijou aquele corpo, proporcionando-lhe um despertar delicioso. Ela segurou-lhe a cabeça e beijou-o. Os gemidos fizeram coro com os seios intumescidos e o corpo arqueado, falando de prazer. Prolongaram o momento enquanto foi humanamente possível, depois entregaram-se um ao outro de forma tresloucada. Acabaram no chuveiro onde o banho os acalmou. Já sentado à mesa do pequeno-almoço Marcus abordou o assunto.

«O teu marido faleceu sem termos a oportunidade de descobrir a rede dos seus negócios. Talvez nos possas ajudar, dando-nos toda a informação de que dispões.»

«Com exceção da informação que estava no banco em Genebra, eu já dei toda a informação à polícia judiciária.»

«Conhecemos os documentos que entregas-te à polícia e a informação do banco de Genebra também nos veio parar às mãos.»

«Então não posso ajudar-vos.»

«Talvez pudesses autorizar-me a fazer uma busca cá em casa.» Disse ele acariciando-lhe o rosto.

Quando ele lhe tocava ela perdia a noção das coisas e do espaço. Naquele momento concordaria com qualquer coisa. Antes de sair, para ir almoçar e passar a tarde com uma amiga, autorizou a entrada da equipa do comandante e a casa ficou por conta dele. Durante horas passaram a casa a pente fino, mas não encontraram nada. Marcus teria de se contentar com a morte de Jair de Lins, mas a rede deste continuaria viva e os segredos enterrados com ele. Pelo menos assim o esperava.

Perestrelo acordou de bom humor. Mónica tinha esse efeito sobre ele. Depois do exercício matinal, sentou-se no escritório e abriu a gaveta. Estendeu o papel na sua frente e leu o seu conteúdo.

“Tal como a água de um lago reflete a nossa imagem, apenas nos deixando ver o que este esconde, quando mergulhamos nele, assim é a vida. Se queres encontrar o que procuras não te limites a olhar a superfície, mergulha no lago. Por vezes é preciso ver para além do que está escrito”

O texto era tão ambíguo e abstrato que se tornava desanimador. Eram infindáveis os significados daquelas palavras. Perante a ausência de qualquer ideia de como abordar aquilo, lembrou-se das palavras de um formador, de uma ação de estratégia e planeamento aplicado à investigação. «… a abordagem ao caso deve ser sistemática, numa perspetiva sistémica …». Aquela associoação não fazia sentido nenhum. Ou será que fazia? Se aplicasse uma perspetiva sistémica ao texto, considerando que ele foi encontrado dentro da mala, então a solução estaria dentro da mala. Soltou uma gargalhada. Se fosse assim tão fácil… Calou-se. Era seguramente um desproposito, mas valia a pena tentar. Tentou a abordagem sistemática do texto. A primeira frase do texto era claramente simbólica e a mensagem que extraia dela era: Vai mais fundo. A segundo continha uma instrução clara. Mergulha no lago. Só que o seu lago era a mala onde tinha encontrado a mensagem. A terceira pareceu-lhe apenas uma repetição da mensagem da segunda, por isso ignorou-a.

Pegou na mala e observou-a minuciosamente. Nada. Era apenas uma mala. Uma mala de couro. As laterais eram rijas o que significava que eram reforçadas. Pegou num estilete e numa chave de vendas e dedicou-se a desfazer a mala, abrindo as partes em que o couro estava dobrado ou havia sido reforçado, até ficar apenas com as partes que suportavam as duas fechaduras. A primeira cedeu depois de algum esforço, mas a segunda tinha sido mais prensada ou colada com algo diferente, pois teimava em resistir. Perestrelo esteve quase a desistir por lhe parecer uma busca sem sentido. Depois de uma pausa voltou a insistir com a ajuda de um martelo pressionou a ponta da chave de fendas contra o pedaço de couro e este separou-se do metal da fechadura. Eureka! Embutido na madeira estava uma pequena chave. «Isto é de loucos!» Pensou.

Tinha passado a manhã toda e uma parte da tarde à volta daquilo, mas o resultado tinha sido compensador. Estava eufórico. Junto da chave estava um pequeno papel que indicava o banco e a dependência onde se situava o cofre, bem como o número do contrato. Por baixo deste tinha oito vezes o símbolo X. O mais provável era que fosse necessária uma palavra-chave com oito carateres. Como já era tarde verificaria isso no dia seguinte junto do banco. Quando conseguiu falar com Mónica esta partilhou o entusiasmo das descobertas. Eram passos simples que podiam não conduzir ao assassino da jornalista, mas, de momento, era a única pista que tinham.

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