O REENCONTRO

O REENCONTRO

A queda tinha sido o prenúncio. Ele tropeçou na última escada e foi amparado pela parede. O rosto amassado era a única testemunha daquele encontro imediato. Ignorou a dor e foi almoçar. O comentário do empregado de mesa levou-o até à casa de banho e ele percebeu que os estragos eram maiores do que tinha imaginado. Não se lembrava bem do que tinha acontecido, embora a imagem do choque com a parede fosse perfeitamente nítida. O mais provável era que tivesse perdido a consciência por um ou dois segundos. Passou água pelo rosto e depois do almoço passou pela farmácia. Levou algo para eliminar o hematoma e para ajudar a cicatrizar os rasgos na pele. Apesar de tudo, o maior dano tinha sido no seu ego. Um homem ativo e saudável como ele tinha tropeçado daquela forma: afinal era tão frágil como todos os outros.

«O que foi que te aconteceu?»

A pergunta era inevitável, mas soou como uma alfinetada. Miguel tinha cinquenta anos e era divorciado há cinco. Não tinha tido tempo para aventuras pois tinha-o dedicado aos dois filhos. O mais novo tinha completado o dezoito e o outro era dois anos mais velho. Foram os próprios filhos que insistiram com ele para seguir a frente. A mãe dele tinha-o feito de imediato, pois o novo amor tinha sido a causa da separação. Ele tinha ficado a curar a dor, talvez tempo demais. Marta continuava especada a olhar para ele, aguardando uma resposta.

«Escorreguei no último degrau da escada e fui contra a parede.»

Ela dobrou-se para ele e observou-o com carinho e preocupação. Era dez anos mais nova que ele, mas tinha tido uma vida muito difícil. O casamento não tinha resultado, mas a relação que se seguiu, alguns anos depois, também não tinha sido muito saudável. Apesar disso, acabar com esta tinha sido muito doloroso. Sobretudo, era uma ferida recente que ainda não estava completamente sarada. Miguel tinha-lhe vendido um carro e desde o dia que se conheceram cuidou dela e do carro, de uma forma como nunca ninguém tinha cuidado. O facto de ele ser mais velho tinha facilitado a aproximação pois ele aconselhava-a em muitas coisas, ajudando-a a manter a relação até que isso se tornou definitivamente impossível. Nessa altura ele declarou o seu amor por ela. Foi uma surpresa total! Marta não sentia por ele mais do que uma atração física que nem ela sabia explicar. Com o passar do tempo ela percebeu que também o amava, mas o medo de falhar novamente retraiu-a e escondeu esse amor o melhor que pôde. No entanto, em momentos como este a expressão do rosto era perfeitamente elucidativa. Infelizmente Miguel não a pôde ver, dada a proximidade do rosto dela.

Depois de cuidar dele tomaram café e ficaram um pouco à conversa. Era sexta feira e Miguel ia passar o fim de semana, a Braga, com os filhos por isso apenas se veriam na segunda feira seguinte. No entanto, 0 destino tinha outros planos e a vida tinha formas estranhas de nos surpreender. Durante o fim de semana Miguel foi parar ao hospital depois de várias síncopes e saiu de lá na terça feira com um pacemaker. Marta apenas soube na segunda feira quando ele lhe ligou, do hospital, já com os elétrodos ligados ao coração.

«Tu dizes que me amas e depois manténs-me na ignorância, perante um problema destes!»

«Não havia nada que pudesses fazer, por isso não adiantava estar a preocupar-te.»

Miguel ficou em repouso durante uma semana e no domingo combinou ir almoçar com a Marta, no dia seguinte. Ela insistiu em fazer o almoço para ele. A filha tinha ido passar uns dias com o pai, por isso ela estava sozinha. Era a primeira vez que ele ia a casa dela e não sabia muito bem como interpretar aquele convite. Depois de algumas especulações disse a si próprio: «Isto não significa nada de especial. Ela apenas te quer oferecer o teu prato favorito.»

«Dlim…Dlon!»

Ela abriu a porta e ficou parada a olhar para ele. Era um olhar carregado de emoções, mas aquela que era mais evidente era um desejo incontrolável. Miguel sentiu isso mal a olhou e não foram necessárias palavras. Jogaram-se nos braços um do outro e devoraram-se. A troca de beijos e carícias rapidamente deu lugar a um contacto mais íntimo e não tardou nada estavam nus, no sofá da sala. Rolaram pelo chão explorando o corpo um do outro, dando e sentindo prazer, até o desejo impor a sua vontade.

«Quero-te!» Disse-lhe Miguel, ao ouvido, com voz rouca!

«Então vem!»

Miguel tremia de prazer. A mente antecipava o momento, tornando-o urgente, mas ele fez um esforço e aproximou-se dela lentamente. O primeiro contato foi eletrizante. A descarga elétrica foi tão poderosa que quase os levou ao clímax. A sintonia deles era total e o desejo igualmente grande. Ele entrou dentro dela lentamente. Cada milímetro representava uma descarga elétrica que aumentava a tensão e o desejo.

«Mais… vem!» Urgia ela.

Miguel sentiu aquele apelo no âmago do seu ser, mas continuou a avançar ao mesmo ritmo. Estavam unidos. Por alguns instantes ele imobilizou-se e deixou que ela o sentisse no seu íntimo. Era uma sensação deliciosa! O fogo do rosto dela era um apelo surdo e irrecusável. Miguel começou a movimentar-se com um ritmo cada vez mais acelerado, até quase perder o controlo, depois abrandou.

«Não pares, por favor!» Implorou ela.

Miguel acelerou novamente e Marta movia-se ao seu encontro, em movimentos sincronizados, como se tivessem feito isso durante toda a vida. Ele segurou-lhe os pulsos acima da cabeça e beijou-a, ao mesmo tempo que continuavam a mover-se, depois entrelaçaram as pernas e explodiram num clímax demolidor. Até a terra parecia tremer. Abraçaram-se e beijaram-se com carinho prolongando aquele momento de prazer por mais alguns minutos.

«Sabes que eu te amo?»

As palavras ditas ao ouvido dele deram um outro significado àquele momento. O coração dele acelerou e soergueu-se, beijando-a com amor e carinho, depois fitou-a com um olhar carregado de sentimentos.

«Amor da minha vida!»

Beijaram-se e ficaram abraçados sentido os corpos colados e humedecidos pelo calor. Era o calor do amor!

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