O ABRAÇO DO INFINITO

O ABRAÇO DO INFINITO

A dor dilacerava-a de forma impiedosa! Não conseguia respirar. Sufocava! Jogou a máscara para longe, indiferente aos olhares críticos. Doía-lhe o peito. A pressão aumentava e ela sentia-se impotente. Desesperada, gritou. Gritou a plenos pulmões, mas o silencio reinou. Nada. Ninguém a ouviu. Ninguém lhe respondeu. Nem o eco, esse eterno parceiro, que nunca nos abandona. Despertou. Acordou de um sonho mau, para o pesadelo da realidade. Soergueu-se na cama, encharcada em suores frios e inspirou. Doía-lhe! Não era uma dor física. Doía-lhe o coração!

O sentimento de abandono e desprezo invadiu-a novamente. Era pior estar acordada do que a sonhar. A consciência de que ele nunca seria dela era tão dolorosa, tão dura de suportar que a vida lhe pesava. O fardo de estar, de ser, de caminhar era quase insuportável. O próprio ato de respirar lhe parecia inaceitável. A vida sem ele não fazia qualquer sentido e, no entanto, ela tinha que viver.  Ela não vivia para ele ou para qualquer outro homem: vivia para ela! «Vivemos para nós e por nós. Os outros são nossos parceiros na caminhada!» Pensou.

O coração batia acelerado. Demasiado acelerado! O peito doía-lhe intensamente e a cabeça juntava-se à festa. Tinha de se acalmar. Talvez fosse melhor tomar um comprimido. Quem disse que a dor da alma não era física? Estendeu o braço com força para acender a luz. Bateu no criado mudo com violência e acordou. Esfregou os olhos e a cara com as mãos. Estava tudo bem. Felizmente não passou de um sonho!

Será que estava acordada? A mente estava tão confusa que dormia acordada e despertava dormindo. A realidade e o sonho misturavam-se. Confundiam-se e fundiam-se numa só. Era impossível distinguir uma da outra. Levantou-se e foi passar água pela cara. Achava que estava acordada, mas a verdade era que precisava de dormir. Deitou-se e sonhou novamente. A janela estava aberta e o fresco da noite convidava a um passeio no exterior. A casa estava tão abafada! Abriu a janela e inspirou o ar fresco da noite. «Seguramente que se está melhor lá fora!» Pensou. Impossível: ela estava no décimo segundo andar. No sonho dela podia ter o que quisesse. Até o homem que amava, sem esperança, nem retorno. Ele estava ali mesmo à sua frente, de braços abertos, pairando no infinito. Seria possível?  Felizmente ela tinha asas! Abriu a janela, de par em par, para o abraçar. O único abraço que a recebeu foi o do infinito.

Estava a cair a uma velocidade estonteante. Felizmente aquilo era um sonho. Ou não seria? O sonho parou. Tudo parou: até a vida! O que seria aquela dor? Era a alma que também doía!

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