A TRAIDORA

A TRAIÇÃO

Beatriz resistiu à tentação de ficar na cama até tarde. Apesar de não estar a trabalhar decidiu levantar-se cedo e iniciar a manhã com uma ida ao ginásio. Era inverno e lá fora chovia torrencialmente. Optou por fazer exercício em casa e depois do conforto de um bom duche, observava a chuva a cair, sobre o rio, enquanto se deliciava com um belo café. Ninguém lhe podia tirar o seu expresso da manhã ou a seguir ao almoço.

Quando decidiu tornar-se detetive fê-lo porque sentiu que tinha a capacidade e o gosto de o ser, mas não pensou em tudo. Sobretudo não pensou como iria conseguir os clientes. Agora era tarde demais para voltar atrás! Enquanto pensava numa estratégia comercial, decidiu adquirir algumas técnicas de investigação e aprender a manusear alguns equipamentos de escuta e gravação. Era estranho, ou talvez não fosse, mas nunca tinha reparado antes a quantidade de informação disponível na internet, nem os cursos de detetive particular que era possível frequentar. Os primeiros dois meses passaram rapidamente, de tão envolvida que estava em aprender. Entretanto, a casa e o escritório tinham-se tornado um forte, em termos de segurança e os computadores eram potentes e do mais moderno que existia. O website da empresa anunciava de forma sóbria, mas contundente, as suas capacidades e fazia do seu único caso um bestseller. Os primeiros contactos não deram frutos: o problema parecia ser o preço.

Quando o Pedro a convidou para almoçar ela não hesitou. Precisava urgentemente de ter contacto com o sucesso, ainda que este estivesse no passado. Precisava urgentemente de voltar a sentir essa adrenalina. Foi um almoço divertido. Pedro tinha percebido que ela estava sem trabalho e ele não dava ponto sem nó.

«Vem uma amiga minha tomar café connosco.»

«Eu não quero incomodar. Se quiseres posso ir-me embora.»

«Eu quero que ela te conheça. Penso que a podes ajudar.»

Beatriz ficou a olhar para ele com a interrogação no olhar, mas Pedro ignorou-a. Luísa era um pouco mais velha que Beatriz, mas era uma mulher muito interessante: bonita e elegante. Beatriz gostou logo dela. Ao fim de algum tempo Pedro despediu-se e deixou-as entregues a elas próprias. Luísa suspeitava que o marido a traía e queria que Beatriz investigasse o assunto. No entanto, tinha vergonha de assumir que era traída e apenas acedera falar com a Beatriz por recomendação de Pedro, que era um amigo de infância. Beatriz não imaginava a razão que podia levar um homem a trair Luísa, ela era a mulher perfeita. Isso apenas ficou claro no fim, quando Luísa, depois de uns cálices de Porto, confessou ser frigida e sempre se ter recusado a assumir o facto e a procurar tratamento.

«Isso matou a relação com o Nuno, sobretudo porque ele não faz ideia do meu problema.»

«Percebo. No entanto isso não é razão para ele a trair.»

Beatriz aceitou o caso e Luísa nem pestanejou quando ouviu o preço, apesar de este ser elevado. Luísa entregou-lhe um dossier com fotografias e descreveu sucintamente o marido. Tinha trinta e cinco anos de idade e era Major, na força aérea. Desempenhava a função de adido da NATO, por isso viajava muitas vezes para a Europa e para os Estados Unidos. A fotografia pareceu-lhe familiar, mas quando a olhou com mais atenção percebeu que não o conhecia.

Beatriz tinha conhecido o João fazia um ano. Tinha ido dançar com umas amigas, mas para variar deixaram-na sozinha na pista. A sua sede de dançar era tão intensa e devoradora como a que as amigas satisfaziam no bar. Fechou os olhos e deixou o corpo mover-se ao som da música. Tinha um ritmo verdadeiramente sensual que funcionava como um íman masculino. Sabia que quando abrisse os olhos teria uns quantos à sua volta, mas isso era-lhe completamente indiferente. Por regra dava meia volta e virava-lhes as costas. O sorriso dele prendeu-a de imediato. «Meu Deus donde saiu este Adónis?» pensou. Devia ser um pouco mais velho que ela, mas não teria mais de trinta e cinco. Era a idade perfeita. O que era mesmo perfeito era o seu corpo musculado. Era um homem alto: devia ter à volta de um metro e oitenta e cinco. A estatura e o porte faziam lembrar um militar. Os olhos azuis combinavam com os cabelos claros e uma barba no mesmo tom: adorava homens com barba! Nessa noite resistiu-lhe, mas a armadura cedeu logo no segundo encontro. João despiu-lha e ela conheceu o paraíso. Quando estavam juntos ele era um homem carinhoso e parecia viver para lhe satisfazer até os mais pequenos desejos, mas quando estava fora, era distante, chegando mesmo a ser frio, isso quando atendia as suas chamadas. Passava uma boa parte do tempo a viajar, em negócios e, mesmo quando estava no país, trabalhava até tarde e evitava os encontros.

«Preciso de descansar e gosto de acordar na minha cama.» Dizia ele.

Beatriz não entendia esse tipo de comportamento, mas o sexo com ele era do outro mundo e como não buscava compromisso sérios, foi deixando a coisa andar. Uma das coisas que a deixava desconfortável era ele nunca a ter levado a casa dele, nem sequer lhe dar a morada. Num tom brincalhão costumava dizer que era um segredo de estado. Nos últimos tempos algo nela tinha mudado. Ela queria mais. Tinha que ter uma conversa séria com ele: era o momento de tomar decisões mais definitivas, fossem elas quais fossem! Ele iria estar fora uns tempos, pelo que era uma conversa adiada.

Enquanto esperava que, a seu tempo, o João lhe tomasse o tempo, ocupava-o com a sua cliente. O Nuno estava fora do país e regressava exatamente dois dias depois do João. Isso era providencial porque lhe dava oportunidade de passar o fim de semana com o namorado, o que de outra forma seria impossível. Entretanto, visitou os cafés das redondezas metendo conversa com as pessoas. Disse representar um banco e pretender obter informações sobre o casal Vasconcelos. Assim que as pessoas começavam a falar ela fazia incidir as perguntas sobre ele. Foi no cabeleireiro que obteve mais informação. A brasileira que lhe cortava o cabelo falou muito, mas dava para perceber que sabia mais do que dizia. Era uma das pessoas a quem ela iria dar mais atenção. Luísa ligou-lhe ao fim do dia.

«O Nuno regressa na sexta feira e não na segunda.»

Beatriz começou a ver a sua vida a andar para trás. Não podia estar com o namorado e ao mesmo tempo vigiar o marido da cliente. Pelo menos iria ter a oportunidade de o ver, porque ele vinha exatamente no mesmo voo que o Nuno.

«Imagina que eu apenas soube por um colega dele que o Nuno vinha mais cedo. Ele não foi capaz de me dizer nada. Se calhar estava a planear ficar o fim-de-semana com a amante!» Disse Luísa furiosa.

Beatriz pensou exatamente isso. A cabeleireira tinha comentado várias vezes que tinha um programa para o fim de semana fabuloso e por isso não podia trabalhar no sábado. Ia passar o fim de semana com “o cara que pagava as contas”. Essa era a expressão que ela tinha usado. A ligação terminou e ela ficou a pensar no malandro do marido da Luísa. Isso fê-la pensar no João. Tinha que saber mais sobre ele. «Ele pode muito bem ser casado!» Riu-se desse pensamento. A verdade é que Beatriz sabia que não devia ter aceite os termos da relação: ela não sabia nada do namorado para além do pouco que ele lhe contava. A sua resistência em querer envolver-se, tinha permitido que as coisas chegassem ao ponto em que estavam.

Beatriz estava num local estratégico onde podia observar quem chegava sem ser vista. O voo já tinha chegado há quarenta e cinco minutos e nem o João, nem o Nuno tinham aparecido. O seu contacto informou-a de que já não havia malas nenhumas no tapete, portanto, todos os passageiros tinham saído. Quando já desesperava, de tanto esperar, viu aparecer Nuno na porta de saída dos passageiros. O mais provável era que ele fosse o último passageiro a sair. «Estranho o João não veio neste voo, e nem sequer avisou!» Pensou para com os seus botões. Ela precisava de lhe dizer que não podiam estar juntos e, embora preferisse dizer-lhe isso pessoalmente, tinha de ir embora, porque o Nuno se dirigia, a passos largos, para a garagem. Decidiu ligar-lhe, mantendo sempre o seu alvo debaixo da vista. Efetuou a ligação e escutou o telefone tocar, através dos auriculares. Coincidência ou não, ela viu o seu alvo retirar o telefone do bolso das calças, olhar para ele, tocar no ecrã e voltar a colocá-lo no bolso, ao mesmo tempo que a sua chamada era rejeitada. Se ele não queria falar com ela tanto pior. Ela tinha de se concentrar no seu alvo.

Seguiu Nuno até ao Alto da Barra e viu-o entrar no centro de comunicações da Nato. Esperou junto às galerias do Alto da Barra, que ele saísse, enquanto tomava notas no gravador. O toque do telefone assustou-a. Era o João.

«Desculpa, mas não podia atender. Estava numa reunião.»

«Não estou a perceber nada.» Disse Beatriz.

«Tens razão e desculpa mais uma vez. Eu devia ter-te avisado que apenas regresso na terça feira, num voo militar.»

Beatriz ficou em silêncio. Era uma boa notícia porque lhe poupava o desconforto de ter de lhe dizer que o não podia ver no fim de semana, mas o facto de ele nem sequer se ter dado ao trabalho de a avisar dizia muito sobre a forma como ele via a relação deles.

«Então que dizer que só nos vemos no próximo fim de semana.»

«Sim. Na sexta feira devo sair um pouco tarde, mas vou direto para tua casa. Tenho que trabalhar no domingo, por isso podemos estar juntos na sexta e no sábado.»

Beatriz demorou um pouco a responder.

«Estás aí? Esta tudo bem?» Insistiu o João.

«Sim está tudo bem. Estava a olhar para uma lingerie que tu ias adorar.» Disse ela disfarçando.

João soltou uma gargalhada sonora. Ele sabia como ela gostava de lingerie preta de renda. Ela já o tinha surpreendido várias vezes.

«Então está combinado.» Disse ele.

Beatriz anuiu e ele, depois de dizer que estava a ansioso para estar com ela e cheio de saudades, desligou, pois não estava sozinho. Ela ficou a pensar qual seria o tipo de companhia em que ele estava. O alvo dessa tarde requeria novamente a sua atenção. Seguiu Nuno até casa e recebeu imediatamente uma mensagem da Luísa a dizer que ele tinha chegado. Era altura para ela regressar ao apartamento. O sábado foi bem calmo. Nuno passou o dia com a esposa e Beatriz pôde observá-los à distância. Era incrível, como muitos dos gestos do Nuno lhe faziam lembrar o João. «Devo estar a ficar maluca. Será que isto e fruto das saudades e que aquilo que sinto pelo João é mais profundo do que imagino?» Interrogou-se. Ela achava que não, mas também não sabia explicar a razão porque o revia nas atitudes do Nuno. Quando regressaram a casa, já era tarde e Beatriz estava exausta. Passar o dia a segui-los tinha sido bem mais cansativo do que imaginara.

Adormeceu no sofá, ao som de Beethoven e com um livro aberto no colo. Acordou com o som do telefone. Era a Luísa a informá-la que o Nuno tinha uma reunião, no dia seguinte, às quinze horas e não sabia a que horas terminava. La se ia o descanso do domingo. Pelo menos teria a manhã para si própria. Despertou e decidiu ir tomar um copo com uns amigos. Foi uma noite divertida e esteve quase a render-se aos braços de um dos seus pretendentes, mas antes tinha de resolver a relação com o João.

Acordou cedo. Foi correr e treinar técnicas de defesa pessoal. Estava a tornar-se boa naquilo. O treino incluía várias técnicas e era dado por um segurança da El Al, que tinha pertencido às forças especiais de Israel e estava reformado. A filha vivia em Portugal e ele seguiu-a, pois não tinha mais ninguém. Quando ele saiu para a rua já ela estava estacionada num ponto estratégico. Nuno entrou no IC19 e seguiu diretamente para Lisboa. De certa forma ela já esperava que ele não fosse para o complexo da Nato. Seguiu-o através da segunda circular e quando ele saiu para a Portela, ela acompanhou-lhe os movimentos com curiosidade. O equipamento que tinha colocado no carro dele permitia-lhe não só saber a posição do carro, mas ouvir as conversas. Fotografou e gravou a chegada da mulher e ouviu tudo o que disseram. Não havia dúvidas ele encontrava-se com ela, frequentemente, para favores sexuais. O que era estranho é que ela não era amante dele, mas sim uma mulher a quem ele pagava para ter sexo. Segui-os até ao Seven, um motel na zona de Coina e preparou-se para esperar muito tempo. Eles entraram às dezasseis e saíram às vinte. A viagem de regresso foi muito interessante. Quando Beatriz já imaginava ter o caso resolvido, o mistério adensou-se. A mulher, que era brasileira perguntou-lhe se ele já tinha estado com a amante, depois de ter regressado da viagem.

«Ainda não. Vou estar com ela na sexta feira.» Foi a resposta dele.

Beatriz ficou boquiaberta. Então ele tinha uma mulher e uma amante e era a uma prostituta, que era o que a brasileira aparentava ser, a quem se entregava ocasionalmente, que confidenciava as suas aventuras? Mas a coisa não ficou por aí. Beatriz depois de o deixar em casa aguardou pela mensagem da Luísa antes de abandonar o seu posto. A caminho de casa tomou uma decisão: tinha de falar com a brasileira. Quando chegou à porta de casa desta, ela estava a sair com uma amiga e entraram num Uber. O transporte deixou-as num dos bares da noite onde a entrada dela não era recomendável, pelo que montou o seu posto de vigilância no exterior. Quando foi interpelada pela patrulha da polícia, mostrou a sua identificação e explicou porque estava ali. Eles acabaram por lhe fazer companhia, durante algum tempo, recomendando-lhe que tivesse cuidado, pois, mesmo armada, aquela zona da cidade não era recomendável para uma mulher, àquela hora da madrugada. Quando a brasileira levou o primeiro cliente para a residencial Dallas, Beatriz teve a confirmação de que ela era, definitivamente, uma prostituta.

No dia seguinte bateu-lhe à porta a seguir ao almoço. Aline resistiu a deixá-la entrar, mas quando percebeu que ela estava a investigar um dos seus clientes fraqueou-lhe a porta. No princípio, as questões foram sobre os clientes da noite, depois, Beatriz, fingindo apenas curiosidade, pediu-lhe para falar da profissão e de outros clientes. Foi assim que ela lhe falou do Pedro um cliente regular que costumava levá-la ao Motel Seven. Ela sabia muitas coisas da vida dele, ou pensava que sabia. Nuno tinha inventado uma personagem: o Pedro. Aline mostrou-lhe o cartão de CEO de um fundo americano. Era um homem viajado, que era casado com a Luísa e tinha uma amante chamada Beatriz.  Ao ouvir pronunciar o seu nome a detetive ficou em sobressalto, mas quando Aline mostrou as fotografias das duas ela viu que não reconhecia nem a mulher, nem a amante. Existia sempre a possibilidade de ser tudo inventado. Provavelmente, a amante era tão real quanto a profissão de CEO e ele apenas tinha fabricado aquela vida para manter uma relação estranha com uma prostituta. Ligaram para o número que estava no cartão, mas ninguém atendeu. No entanto, passados uns vinte minutos Pedro ligou de volta. Tudo aquilo era incrivelmente surrealista. Beatriz não sabia o que pensar. Suspeitava de que não existia amante nenhuma, mas não podia encerrar o caso sem ter a certeza. Esperaria por sexta feira.

O resto da semana foi muito tranquila. Ela seguiu Nuno todos os dias, num percurso repetitivo e monótono entre a casa dele e o edifício da NATO. Nada. Não aconteceu absolutamente nada de anormal. Na sexta feira as coisas complicaram-se. Beatriz estava em casa a preparar-se para receber o João quando a Luísa lhe telefonou. O Nuno iria trabalhar no fim de semana. Começava a seguir ao jantar e iria estar fora até domingo às dez da manhã. Luísa desconfiava que era tudo mentira. Ele apenas estava a arranjar uma desculpa para estar com a amante. Beatriz abriu e fechou a boca várias vezes. Queria contar-lhe, mas não podia fazê-lo antes de ter a certeza. Afinal Aline tinha razão ele sempre se ia encontrar com a amante. Beatriz tentou avisar o João de que deveria chegar mais tarde, mas ele não atendeu o telefone. Enviou-lhe uma mensagem a dizer que apenas estaria em casa por volta da meia noite e saiu apressada. Quando chegou à porta da casa da Luísa eram vinte e duas e trinta e João respondeu que estava a sair do trabalho.

«Vais ter de esperar à porta. Vou tentar despachar-me.» Respondeu Beatriz.

«OK.»

Quando o viu sair a pé do prédio Beatriz ficou a olhar para ele boquiaberta. Era o mesmo porte o mesmo andar do Nuno, mas era a cara do João. «Que raio está a acontecer?» O primeiro impulso foi confrontá-lo. Conteve-se e observou-o enquanto ele esperava pelo Uber. Subitamente teve uma ideia. Ligou para a Luísa e pediu-lhe para descrever as roupas com que o Nuno tinha saído. Eram exatamente as que o João tinha vestidas. Ela não tinha mais dúvidas. O Nuno e o João eram a mesma pessoa e ela era a amante: a famosa Beatriz. Decidiu confrontá-lo apenas com provas. Seguiu o Uber até à sua própria casa. Felizmente, a entrada para a garagem era pelas traseiras e ela entrou sem ele a ver. Já em casa preparou tudo para a encenação que tinha pensado. Quando ele chegou ao andar dela a porta estava aberta.

«Alô! Beatriz?»

«Entra e fecha a porta. Preparei uma pequena surpresa.» Gritou ela do quarto.

Quando ele chegou ao quarto ela estava na casa de banho.

«Despe-te e fica à vontade que eu já vou.»

Beatriz saiu da casa de banho, envolvida num roupão de seda preto e com os cabelos apanhados sobre a nuca. Ele estava todo nu, deitado sobre a cama.

«Uau! Tu estás divinal! Se soubesses como tive saudades tuas!»

Quer a expressão, quer a afirmação eram absolutamente verdadeiras. Ele vivia cada uma das personagens que criava de uma forma tal que as tornava reais. Beatriz hesitou por alguns instantes. Estava decidido, levaria aquilo até ao fim. Algemou-o às duas barras de ferro que faziam parte da cabeceira e sentou-se sobre ele acariciando-lhe o rosto. Num repelão arrancou-lhe a barba levando-o a soltar um grito de dor. Depois foi buscar a pistola e retirou-lhe as algemas. Em seguida obrigou-o a tirar as lentes de contacto.

«Quem és tu?» Perguntou.

A arma continuava apontada ao peito dele. Apesar do medo que sentia ele não tremia nem vacilou.

«Eu sou o João Nuno Ribeiro de Vasconcelos.»

Esse era o nome completo do marido da Luísa. Beatriz estava com muita raiva. Tinha raiva daquele homem que a tinha enganado a ela e à esposa, mas também tinha raiva de si própria, por se ter deixado enganar. Apesar disso, controlou-se e disse-lhe, num tom moderado, mas firme.

«Veste-te sai daqui. desaparece da minha vida.»

Depois dele se ir embora ela desabou. Chorou durante muitas horas até que adormeceu. No sábado quando acordou tomou uma resolução. Ligou para a Luísa e combinou encontrar-se com ela na sua casa. Foi aí que lhe contou tudo, mostrando-lhes as fotografias, as gravações áudio e os vídeos, inclusive o que tinha feito na sua própria casa com ele todo nu.

«Então você é que é a amante dele.»

«Eu fui tão enganada quanto a Luísa. Pensava ter um namorado e acabei por descobrir que tinha não sei bem o que.»

Luísa sorriu com bondade.

«Fomos as duas enganadas.»

«Esta investigação permitiu-me resolver a minha vida. A Luísa não precisa de me pagar nada.»

Luísa não aceitou a sugestão de Beatriz. Ela tinha encomendado um trabalho e a detetive tinha-o levado acabo com um profissionalismo e uma honestidade exemplares. Para além de tudo isso, o dinheiro para ela não era um problema. A família era riquíssima! Quem ficava a perder era o marido, pois o acordo pré-nupcial era claro.  Naturalmente que tinha o ordenado dele, mas a vida avizinhava-se difícil para um militar que tinha traído a filha de um general, que era seu superior.

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