CARTAS NA PANDEMIA 25

Lisboa, 22/11/2020

Olá Rogério,

Espero que estas linhas, que escrevo já em hora tardia, te encontrem bem, na companhia de todos os que te são mais queridos. Por aqui tudo tranquilo.

Estamos em recolhimento obrigatório ao fim de semana e, por isso, este domingo foi bem calmo, passado na companhia da família e em parte dedicado à escrita. Tenho este compromisso com ela e ela tem sido uma amante exigente, quer com o meu tempo, quer com o carinho e atenção que lhe dedico. Eu sinto-me prisioneiro da sua sedução, mas o prazer que encontro nos seus braços compensa tudo.

Gostei muito de receber a tua resposta, pois uma carta deve ser respondida. Agradeço os teus comentários em relação à minha escrita, mas peço que não tomes isso em consideração, pois eu não vejo a nossa correspondência como um concurso de escrita, mas apenas duas pessoas a comunicar uma com a outra, cada uma utilizando os recursos que tem ao seu dispor, o melhor que sabe. Eu tenho praticado muito e como tal a minha escrita pode parecer mais organizada, mas o importante é a mensagem.

Fiquei muito contente de saber que com as minhas palavras te levei a considerar deixares de engavetar os teus escritos. Quando colocamos no papel aquilo que nos vai na alma, existe sempre um valor associado que será seguramente apreciado por quem o lê. Naturalmente, que chegar ao ponto de ser um escritor reconhecido implica muita prática e muito esforço, mas implica também muitas outras coisas que nada têm a ver com a escrita. O que é importante é dar o primeiro passo: expor-se ao mundo e melhorar todos os dias aprendendo sempre mais e mais. Parabéns por essa decisão!

Fala-me de Manaus, da vida na capital da Amazónia, e da atividade de professor. Gosto sempre de saber coisas sobre outros locais e pessoas. Todos temos sempre algo a aprender uns com os outros, mesmo quando nos expressamos com uma linguagem mais simples. Um texto cheio de imagens linguísticas e figuras de estilo pode ser completamente vazio e um outro, mais simples, pode ser rico em sentimentos e mensagens, por isso não hesites em escrever e publicar e em escrever-me, naturalmente.

Embora não seja a minha atividade principal, eu também sou professor. Leciono uma matéria numa universidade portuguesa, num mestrado e Gestão e Avaliação Imobiliária. A matéria que leciono é exatamente Avaliações Imobiliárias. É uma mateira técnica e como tal algo árida. No entanto, tem um capítulo fantástico que é o de ética.  A análise e discussão de casos práticos com os alunos, que já são todos licenciados, é verdadeiramente entusiasmante.

Não sei se visitaste o meu blog, mas se o fizeste viste que escrevo muito quer prosa, quer poesia. Adoro fazê-lo! A sensação de criar um texto, seja o tema qual for, é como ver um filho crescer. É algo que sai de nós, toma forma no papel e depois ganha vida, aventurando-se pelo mundo e vivendo do imaginário de quem o lê. No caso da poesia esta sensação é sublimada pelo jogo das palavras e dos sentimentos que estas refletem, criando por vezes a tempestade perfeita.

Termino por aqui, esperando notícias tuas na volta do correio.

Despeço-me com um abraço amigo

Manuel Mota

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