CARTAS NA PANDEMIA 26

Lisboa 22 / 11/2020

Olá Sidi,

Espero que as letras que deposito, nesta folha branca, te encontrem bem. Eu estou muito bem e feliz por ter recebido a tua carta em resposta à minha. Apenas não respondi de imediato porque o tempo teima eu não me obedecer e em não parar para que tenha tempo para fazer tudo o que quero.

Tudo o que dizes sobre ti reforçou ainda mais a afinidade que senti existir entre nós quando li o teu perfil. Desde logo a busca pela aprendizagem constante, essa sede que não se sacia nunca e que quanto mais saciada mais sedenta se torna. Neste caso uma aprendizagem orientada para a espiritualidade. A propósito: como tu estás numa fase muito mais avançada da espiritualidade que a minha, será que podias recomendar a leitura de algum livro especial sobre numerologia? Eu estou a ler “o Grande livro da Numerologia, de David A. Philips”. É um livro básico, embora rico de ensinamentos. O que devo ler em seguida?

Como já te disse apenas recentemente tomei consciência da espiritualidade, mas cada vez mais tenho a sensação que a minha vida tem sido uma caminhada nesse sentido, desde a minha experiência africana, entre os nove e os trezes anos, até à vivencia numa pequena aldeia e com uma consciência e uma vivência religiosa muito profunda, culminando na minha vinda para a capital, com a consequente rotura com muitos desses aspetos e uma focalização em assuntos bem mais materiais. Este somatório de vivências acabou por me dotar de uma experiência que me tem sido muito útil. É como se alguém, ainda que eu não tivesse consciência disso, estivesse, ao longo destes anos todos, a fazer-me passar por um conjunto de situações que se destinavam a preparar-me para poder entender melhor o que agora me está a ser revelado. Quando falo de revelação, não estou a dizer que estou a ter visões nem premonições, mas apenas que consigo retirar, daquilo e que leio e vejo, leituras e lições completamente diferentes daquelas que tirava de situações similares, no passado.

Vivo em Lisboa, que, sendo a capital de Portugal, é uma cidade que nos conduz ao anonimato. No meio do bulício da cidade nós tornamo-nos mais um rosto, pelo qual todos passam indiferentes, sem se dignar a dar um bom dia sequer. Apesar de, em alguns meios, eu até ser uma pessoa conhecida, nomeadamente no meu meio profissional, lido com esse anonimato, por mais incrível que pareça, mesmo dentro da minha empresa. Cada um de nós é apenas mais um que contribui para o monte e aquilo que interessa é a medida dessa contribuição e não o esforço que tiveste de fazer para a realizar, ou a forma como te sentes ao fazê-lo. Somos apenas um número! Esta tomada de consciência do meu Eu é muito útil pois ajuda-me a ter presente em todos os momentos, que não sou apenas mais um e que cada um de nós é importante e é único, na forma como contribui para o coletivo. É esse tipo de conhecimento, uma espécie de “mind fuldness” que nos ajuda a passar por cada um desses momentos, com uma memória dos mesmos, ao invés de simplesmente passarmos por eles. Não sei bem se isto é espiritualidade, mas tu dir-me-ás.

Acho que me alonguei em considerações sobre algumas das coisas que esta busca sobre a espiritualidade está a fazer-me experimentar.

Fico a aguardar noticias na volta do correio.

Um abraço amigo

Manuel Mota

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