APANHADA

Pedro e Elisa mantinham-se fiéis ao seu acordo. Passaram a dormir separados e a dividir todas as despesas. A casa era o único bem que tinham em comum, dado que os respetivos carros pertenciam às empresas onde trabalhavam. Dividiram as poupanças, que ainda eram de alguma monta e passaram a dividir as despesas da casa. O horário da empregada foi estendido para os dispensar, a ambos, das tarefas domésticas e tudo corria às mil maravilhas. Tinham planeado a vida de forma a conviverem sem conflitos. Apesar de dormirem em quartos separados, sempre que podiam jantavam em casa o três, durante os dias da semana, com exceção da sexta feira. Ao fim de semana o almoço era feito em conjunto e o jantar era livre. Elisa jantava fora quase todas as sextas e fins de semana. Para além disso, era muito comum sair a seguir ao jantar, mesmo durante os dias de semana. A filha era a primeira a reconhecer que nunca tinha existido tanta harmonia naquela casa. Era admirável como, não conseguindo viver uma vida juntos, viviam tão bem em conjunto. Apesar disso tudo, era claro que não eram uma família, no verdadeiro sentido da palavra.

Lurdes vivia num dilema. Todos lhe diziam que ela tinha uma sorte incrível, pois apesar de separados os pais viviam juntos e ela tinha a oportunidade de ter os dois junto dela. Para além disso, ela tinha ganho uma independência inacreditável. Os pais fixaram-lhe uma mensalidade e ela podia entrar e sair de casa livremente, tendo inclusive um acesso direto à suite, do segundo andar, que constituía o seu aposento. Como era maior de idade estava autorizada a levar quem quisesse para o seu quarto.

«Saiu-te a sorte grande!» Diziam os amigos.

Essa liberdade e autonomia, ao invés de a deixar satisfeita e até realizada, aumentavam a sua insegurança. Sentia-se perdida e em perigo. Era como se a tivessem colocado num trapézio sem rede e ela tivesse de voar, pelo espaço, com o simples ato de viver a vida. Só lhe apetecia fugir do mundo e esconder-se. O quarto era o seu refúgio e usava-o como tal muitas vezes. Demasiadas vezes! Os pais quando perceberam o que se passava buscaram ajuda profissional e graças a isso ela ganhou coragem para enfrentar o mundo. Foi então que percebeu, que não havia nada para enfrentar no mundo senão ela própria. O medo e os fantasmas estavam todos dentro dela. Isso gerou a reação contrária e passou a evitar ficar sozinha no quarto.

Quer os pais, quer o psicólogo, recomendaram que, como primeiro passo de reconciliação com o mundo, pedisse desculpas à Sónia. Ela sentiu que precisava de ir mais longe e queria reatar a amizade com a colega de equipa. No entanto, não foi fácil chegar à fala com a antiga amiga. Sónia tinha ficado muito magoada com a Lurdes e não se mostrou recetiva para qualquer abordagem.

«Não tens que voltar a ser amiga dela, se o não quiseres, mas penso que devias ouvir o que ela tem para te dizer.» Disse a mãe.

Estava a jantar com a mãe e, como de costume, o Hugo acompanhava-as. Sónia tinha decidido pedir a opinião a ambos.

«Eu concordo com a tua mãe. O que a Lurdes fez pode não ser esquecido, mas talvez possa ser perdoado.» Disse Hugo.

Júlia sorriu-lhe. Foi um sorriso simultaneamente de gratidão e de felicidade. Ela sabia que não precisava de agradecer ao namorado, pois ele falara com o coração, mas queria fazê-lo, como forma de mostrar a satisfação por o ter ao lado dela, daí a felicidade que reluzia no seu olhar.

«Ela magoou-me muito. Eu não sei se consigo perdoá-la.»

«Pensa um pouco no seguinte: Será possível que estejas a confundir as mágoas e a não querer perdoar a filha, porque adicionaste aos pecados dela os do pai?»

«Não!…»

Sónia interrompeu-se a si própria. Seria possível que a mãe tivesse razão? Isso seria muito injusto. Cada um tinha os seus pecados e só podia ser responsável por estes. Olhou para a mãe e para o Hugo, com receio de ser condenada, mas viu apenas solidariedade. Eles não julgavam, apenas tentavam ajudar. Talvez ela devesse fazer o mesmo, mas era tão difícil. Abriu a boca para dizer algo mas emudeceu, baixando o olhar.

«Pensa assim: tu não tens que perdoar, nem sequer desculpar, se não quiseres, apenas tens de ouvir. Farás o juízo sobre o que deves fazer depois de ouvir o que ela tem para dizer.» Disse a mãe.

Hugo concordou com um aceno e Sónia acabou por anuir. Ouviria o que Lurdes tinha para lhe dizer, sem preconceitos e sem reservas mentais. Tomada essa decisão, estranhamente, o perdão tornou-se óbvio.

O encontro aconteceu dois dias depois. Hugo tinha um treino que começava uma hora mais cedo que o da Sónia e esta aproveitou a boleia. Lurdes chegou pouco depois. Já conhecia Patricia fazia algum tempo, mas ultimamente tinham-se aproximado uma da outra, talvez não pelas melhores razões, mas ainda assim, Lurdes decidiu ir mais cedo para a ver treinar. Foi com surpresa que viu Sónia, sentada na bancada, sozinha. Estava ali a sua oportunidade. O mais provável era que Sónia nem sequer a quisesse ouvir, mas não tinha nada a perder em tentar.

«Olá Sónia.»

«Olá Lurdes. Sei que que querias falar comigo, mas ainda não tinha chegado o momento oportuno. Se quiseres podemos falar agora.»

Lurdes abriu a boca várias vezes sem que tenha saído qualquer som. Estava pasmada com a disponibilidade de Sónia para a ouvir, depois da resistência demonstrada nos últimos tempos.

«Eu sei que aquilo que te fiz não é fácil de perdoar, mas eu preciso do teu perdão para poder seguir com a minha vida. Por isso, quero pedir-te desculpa do fundo do coração. Quero que saibas que não digo isto de ânimo leve e que já falei com imensas pessoas, para lhes dizer que aquilo que tinha espalhado sobre ti era pura difamação. Por isso o meu pedido de desculpas é sincero.»

«Eu acredito. Acredito na tua sinceridade e aceito o teu pedido de desculpas. Quero que sigas a tua vida de forma tranquila. Na verdade, o facto de não te perdoar fazia com que carregasse um peso do qual me quero libertar.»

Lurdes fixou Sónia com admiração e a emoção tomou conta dela. Controlou-se o melhor que pôde e pigarreou para aclarar a garganta contraída pela emoção. O facto de ter decorrido mais de um dia desde que tomara a última dose de heroína, fazia com que estivesse, simultaneamente, mais consciente da realidade, mas mais sensível. Patricia tinha-a iniciado e ela recorria à bengala sobretudo quando a solidão a ensombrava. Não se considerava dependente e via o processo como quem toma um medicamento para as dores. No caso dela eram dores de alma. Estava convencida que podia deixar a droga quando quisesse, apenas tinha de encontrar o equilíbrio e a força mental para resistir aos momentos de solidão. Sónia sempre lhe dera muita força e reconquistar a sua amizade seria um passo importante para ajudar a libertar-se da droga. Tinha de lhe fazer sentir isso, mas devia ter cuidado com as palavras, pois não queria que ela percebesse que se drogava.

«Obrigado. Tu nem sabes o que significa para mim o teu perdão e a possibilidade de voltarmos as ser amigas como dantes!»

Sónia fixou-a espantada e abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas Lurdes tinha-se lançado num vómito atabalhoado de palavras expressando sentimentos e dependências em ralação às amigas, especialmente em relação a ela, que não lhe deram a oportunidade de intervir.

«… eu preciso da tua força. A tua amizade sempre foi muito importante para mim e embora esteja consciente de que isso representa uma dependência eu prefiro-a a outro tipo de dependências.»

Sónia teve um mau pressentimento, mas ignorou-o. Olhou para a ex-amiga e teve pena dela, mas não conseguia ir além disso, apesar da consciência das necessidades de Lurdes. Perdoar era uma coisa, mas voltar a estar ao lado dela e apoiá-la tal como ela precisava era demais. Sónia refletiu uns instantes e ponderou, ainda que brevemente, essa possibilidade. Não. Não era possível!

«Lurdes, eu perdoo-te e quero que não tenhas dúvidas de que o meu perdão é verdadeiro, mas ainda não estou preparada para reatar a nossa amizade. Tens que me dar tempo.»

Lurdes não estava à espera daquela resposta. Tinha entendido o perdão de Sónia como o passar de uma esponja pelo passado, mas, aparentemente, as coisas não eram assim tão simples. Isso deixou-a frustrada, se ela a tinha perdoado, porque não podiam voltar a ser amigas? Fez mais uma tentativa.

 «Quando achas que vais conseguir dar esse passo?»

Lurdes sentia uma sede insaciável de amizade, em especial daquela amizade! Sónia olhou-a nos olhos e respondeu de forma simples e com sinceridade.

«Não sei.»

Lurdes escondeu o rosto com as mãos, disfarçando as lágrimas que lhe escorriam pela face. Ela não conseguia compreender. Se não podiam voltar a ser amigas o que significava o perdão? Sentia uma dor e uma angústia tremendas e não conseguiu articular nenhuma palavra. A necessidade de uma dose tomou conta dela de uma forma incontrolável. Estava quase na hora do treino e Lurdes levantou-se de forma abrupta e partiu.

«Vou equipar-me.» Disse, sem se voltar.

Sónia não disse nada e ficou a vê-la afastar-se. A cabeça tinha-lhe ordenado que abraçasse Lurdes, mas o coração impediu-a. Não estava preparada para ir tão longe. «Será que eu fui verdadeira quando disse que a perdoava?» Interrogou-se. Os rebates de consciência eram o ponto fraco dela!

Lurdes estava completamente fora de si. A rejeição da Sónia deixou-a completamente perdida. Caminhou apressada e de forma autómata. Quando deu por si estava junto ao campo a fazer sinais à Patricia. Esta estava a limpar o suor com uma toalha, pois o treino tinha terminado. Olhou para Lurdes com ar preocupado. Ela estava com uma expressão alucinada. «O que será que ela está aqui a fazer? Era suposto já estar equipada…» Interrogou-se Patricia. Quando chegou junto de Lurdes ela nem olá lhe disse.

«Preciso de uma dose.»

Patricia segurou-a pelos ombros e percebeu que ela estava a tremer. Iria ajudá-la, mas era altura de a fazer pagar bem por essa ajuda.

«Anda comigo.»

Levou Lurdes até ao carro, pegou no material e foram para a casa de banho. Pelo caminho disse-lhe:

«Eu vou ajudar-te, mas quero passar umas noites contigo.»

Lurdes não percebeu bem o alcance daquilo que Patricia lhe dizia. Se ela queria dormir lá em casa bastava dizer, não precisava de usar a droga como moeda de troca.

«Claro que sim. Podes ficar comigo, no meu quarto, sempre que precisares.»

«Não refiro apenas isso. Quero fazer sexo contigo.»

Aquilo pareceu-lhe uma enormidade. Como era possível? Ela tinha visto Patricia com vários homens. Bem sabia que Patricia não tinha o físico dela ou a beleza da Sónia, mas os homens quando se tratava de sexo não eram muito exigentes.

«Tu és homossexual?»

«Não te sei responder, mas quero estar contigo. Essa é a condição para te continuar a ajudar.»

Lurdes sentou-se. Estava completamente perdida. Ela não sentia nenhuma atração por Patricia, nem sabia muito bem como reagiria à intimidade com ela. Pensando bem no assunto, ela gostava muito de homens, em especial de um. Não podia ceder à exigência da amiga. Levantou a cabeça e olhou Patricia com determinação. Antes de Lurdes pronunciar uma palavra, Patricia acenou com a dose abanando a cabeça. A visão da dose parece que ainda acentuou mais a necessidade de Lurdes. De repente, nada mais interessava para além de obter a droga e para isso ela estava disposta a tudo.

«Tudo bem, eu faço sexo contigo, as vezes que tu quiseres.»

Lurdes deu muito mais do que aquilo que lhe era pedido, mas esse é um dos problemas da dependência. A racionalidade e capacidade critica deixam de fazer parte da equação de decisão! O caricato da situação é que Patricia fazia Lurdes pagar a droga que lhe fornecia, mas sendo uma oportunista, não perdeu a oportunidade de obter algo que há muito desejava.

Patricia chegou cedo e, tal como combinado, trouxe o jantar e uma garrafa de vinho. Lurdes estava tensa. A amiga nunca a incomodara assim, mas saber a razão da sua presença deixava-a desconfortável. A intimidade que se avizinhava deixava-a inquieta. Sem razão aparente lembrou-se de Sónia. Ela nunca lhe imporia uma coisa daquelas, por isso a sua amizade era tão importante para ela. No entanto, quem estava ali, ao aldo dela, era a Patricia enquanto Sónia se limitara a rejeitá-la, apesar de dizer que a perdoava. Patrícia percebeu as hesitações da amiga, mas ela sabia de antemão que seria assim: não era marinheiro de primeira viagem e como tal tinha pensado em tudo.

«Estás muito tensa. Toma isto para relaxares.»

Patricia estendeu a mão aberta, tendo na palma um comprimido azul. Lurdes ficou a olhar para ela calada. Não fazia ideia o que era aquilo, mas a mãe tomava uns comprimidos relaxantes semelhantes àquele. Ela não queria relaxar, queria fugir, mas dado que não podia, o melhor era ficar um pouco mais calma.

«O que é isso?»

«É apenas um comprimido para te ajudar a usufruir deste momento.»

Ao contrário do que Lurdes receava, Patricia não tomou qualquer iniciativa. Jantaram tranquilamente enquanto falavam sobre desporto e sobre as aventuras que cada uma tinha vivido, nas várias deslocações que faziam, com as respetivas equipas. Ao fim de duas horas de conversa Lurdes começou a sentir-se estranha. Estava quente e excitada. Patricia parecia-lhe mais bonita e sensual e a intimidade com ela já não a assustava tanto. Por mais estranho que isso fosse, até a desejava. Estava irrequieta na cadeira. Patricia olhou-a de soslaio e percebeu que o comprimido começava a fazer efeito. Levantou-se e foi colocar um CD que tinha trazido com ela. A voz rouca de Joe Cocker projetou-se no ar, fazendo-se ouvir, cantanto You can leave your hat on. Lurdes deu um salto na cadeira. Como é que a amiga adivinhara que ela gostava de brincar ao strip-tease com essa música? Isso era apenas uma coincidência: Patricia desconhecia-o e não o tinha adivinhado.

Durante toda a música Lurdes foi-se mexendo na cadeira tocando-se disfarçadamente. Patricia fingiu ignorar o que se estava a passar e falou de outros assuntos. Lurdes não ouviu nada do que ela disse. Imaginava-se num bar, dançando para um grupo de homens e quando a música parou ela reagiu instintivamente.

«Podemos ouvir outra vez?»

Patricia assentiu com a cabeça, levantou-se e premiu o play. Ao invés de se sentar ficou de pé, junto à aparelhagem e estendeu a mão para Lurdes, convidando-a para dançar. Lurdes levantou-se movendo-se com sensualidade e segurou a mão de Patricia. Ela puxou-a para si e apertou-a de encontro ao peito. O contacto físico fez Lurdes estremecer. Ela sentia uma necessidade cada vez mais premente de se possuída. Patricia afastou-a e fê-la rodar, puxando-a novamente para si. Desta feita não se limitou a pressionar os corpos um contra o outro. Olhou Lurdes nos olhos e beijou-a. O primeiro toque foi suave e apanhou Lurdes de surpresa. Não estava à espera daquele beijo, mas sobretudo não estava à espera de ter gostado tanto dele. Entregou-se. Entreabriu os lábios e acolheu a língua de Patricia que a tomava de assalto. As lingas enrolaram-se uma na outra, numa luta cujo objetivo único era dar e receber prazer. A batalha não registou vencedor, mas as línguas cansaram-se do ardor da refrega e envolveram-se numa dança guerreira, que gradualmente se transformou numa valsa. No fim separaram-se e apenas os lábios se mantinham colados. Mordicavam-se uma à outra, arrancando pequenos gemidos de prazer.

Lurdes estava em ebulição. O desejo consumi-a. O facto de estar com uma mulher tornou-se completamente irrelevante. Afastou-se de Patricia e começou uma sessão de strip-tease com uma sensualidade inesperada. O corpo dela contorcia-se em movimentos que iam do sensual ao erótico e que estavam a deixar Patricia completamente louca. Nunca antes tinha experimentado a sensação de ter uma mulher, com um corpo escultural, a despir-se para ela, com aquela sensualidade e transpirando desejo por todos os poros.

Quando a música terminou elas estavam as duas nuas. A música que ecoava agora na mente de Lurdes era o desejo que comandava os seus atos. Puxou Patricia para si e beijou-a com sofreguidão, quase com violência. Depois segredou-lhe ao ouvido.

«Quero que me possuas.»

Era uma afirmação que poderia ser entendida como desconexa, mas Patricia percebeu a mensagem e fez deslizar os dedos pela parte inferior das coxas de Lurdes até atingir a fonte de Vénus. Quando sentiu o toque Lurdes deu um salto e o corpo estremeceu de prazer. Instintivamente abriu ligeiramente as pernas para acolher a mão da amiga. Patricia fê-la deitar-se no chão e usando os dedos e a língua trabalhou de forma incansável, dando-lhe um prazer que Lurdes não imaginou ser possível que uma mulher lhe pudesse dar. De olhos fechados e deitada de costas no chão, ela contorcia-se de prazer, soltando gemidos, cada vez mais profundos.

Patricia afastou-se e foi buscar algo à sua mala. Lurdes, sem abrir os olhos reclamou.

«Não pares! Vem! Entra dentro de mim.»

Lurdes estava descontrolada pelo desejo e tinha criado algumas expetativas, mas não estava, definitivamente, à espera daquilo. O pénis entrou dentro dela sem aviso, penetrando-a sem contemplações. O instrumento estava quente e a penetração foi acompanhada de um choque de quadris inesperado. Lurdes teve claramente a sensação de ser penetrada por um homem. Abriu os olhos. Lurdes descia sobre ela vertiginosamente a penetrou-a outra vez. Ela tinha acoplado à cintura um didlo e assumia a função de um homem. A expressão de Lurdes foi de surpresa total, mas isso não diminuiu o prazer que sentia. O inusitado da situação, pelo menos para ela, ainda a deixou mais excitada. Patricia continuou a penetrá-la ao mesmo tempo que soltava palavrões e estremecia de prazer. O que Lurdes desconhecia, por estar escondido pela correia onde o pénis estava acoplado, era que Patricia tinha introduzido um vibrador enorme na sua própria vagina e cada vez que dava uma estocada em Lurdes penetrava-se a si própria. Isso acrescido da vibração do próprio instrumento, estava a fazê-la perder as estribeiras.

Estavam ambas num estado explosivo que a qualquer momento se poderia materializar num clímax. Patricia tentava controlar-se, mas Lurdes sentia que não tinha qualquer controlo sobre si própria. O corpo ganhou vida própria e foi sacudido por convulsões violentas, ao mesmo tempo que ela dizia coisas sem nexo, até que explodiu num grito.

«Siiiiim!»

Patricia ao ver Lurdes atingir o clímax daquela forma descontrolada, deixou cair o corpo sobre o de Lurdes apertando-a num amplexo forte e explodiu juntamente com ela. Lurdes mesmo depois de atingido o clímax não se aquietou e continuava a estremecer de prazer, pedindo mais. Patricia estava satisfeita, talvez por não ter sido estimulada da mesma forma que Lurdes. No entanto, ao ver a amiga gemer de prazer daquela forma e ao ouvi-la suplicar por mais, ficou louca. Segurou Lurdes pelas ancas, virou-a ao contrário e sodomizou-a.  O didlo,devidamente lubrificado, deslizou de forma rápida e Patricia fê-lo entrar e sair com uma cadência impiedosa. Foi um momento indescritível. Lurdes nunca tinha feito amor anal, mas aquela penetração deu-lhe tanto prazer que ela entrou em delírio. Não fazia ideia que isso lhe pudesse dar tanto prazer. O primeiro orgasmo veio numa explosão, mas a este sucederam-se vários outros, numa avalanche imparável. O corpo entrou em convulsões sucessivas e incontroláveis. Patricia tentou segurá-la, mas apenas o conseguiu durante alguns segundos, depois teve de a largar. Lurdes rebolava em completo delírio.  Esfregava-se e introduzia os dedos nos seus orifícios para se livrar do desejo que simplesmente a consumia.

A droga injetada à tarde, em conjunto com o estimulante sexual, estava a ter sobre ela um efeito demolidor. Foi um espetáculo penoso e Patricia chegou a temer o pior. Ao fim de mais de meia hora de delírio e de orgasmos, Lurdes adormeceu profundamente. Patricia também estava cansada, mas preferia ir-se embora, pois não queria acordar ao lado de Lurdes e ter de lhe dar explicações. Preferia fazer isso em terreno neutro. Quando estava de saída lembrou-se do espetáculo que tinha presenciado e pensou que era melhor ficar por ali para o caso de Lurdes vir a precisar de ajuda. Não queria ser responsável por nenhum desfecho menos agradável. A muito custo conseguiu levá-la para a cama e adormeceu ao seu lado.

Tinham adormecido por volta das onze horas e trinta minutos, depois de duas horas de sexo louco. Apesar disso, Patricia acordou já eram nove horas. Estava atrasadíssima para as aulas. O melhor era baldar-se. Olhou para Lurdes e esta dormia profundamente. Como os pais de Lurdes já tinham saído para o trabalho, podia movimentar-se à vontade. Foi à cozinha e preparou em pequeno almoço com frutas, ovos, bacon, torradas, café e leite e deliciou-se. Às dez horas estava a acordar Lurdes. Esta mexia-se com uma lentidão desesperante. Parecia que tinha sido espancada durante horas, pois doíam-lhe todos os músculos do corpo. Patricia, tinha o curso de massagista, por isso colocou mãos à obra. Ao fim de uma hora de massagem Lurdes foi capaz de se levantar e tomar um duche. Apesar das dores sentia-se revigorada e a amiga tinha-lhe preparado um pequeno almoço que ela devorou. Depois disso, Patricia partiu sem que tivessem oportunidade de falar sobre os eventos do dia anterior. Felizmente não tinha treino nesse dia de outra forma não estava segura de conseguir aguentá-lo.

Os acontecimentos do dia anterior vinham-lhe à memória como flashes. Ela sentia-se incomodada com o facto de ter estado com outra mulher e isso lhe ter dado tanto prazer. Quando pensava friamente no assunto tinha a certeza de que gostava de homens, mas se assim era como explicar a entrega daquela forma a outra mulher e o prazer louco que tinha experimentado. A verdade é que tinha sido um prazer estranho, quase doentio. Era, simultaneamente, real e artificial. «Devo estar a ficar louca!» Pensou. Decidiu ir dar um passeio para aclarar as ideias. Andou doze quilómetros e quando regressou a casa eram duas da tarde. Decidiu almoçar e depois telefonou a Patricia. Apesar da insistência ela não atendeu a chamada. Tentaria falar com ela mais tarde. Foi para o quarto de deitou-se sobre a cama a ouvir música, despertando duas horas depois com uma energia inexplicável.

Quando os pais chegaram ela já tinha o jantar no forno. Foi uma surpresa para todos. O peixe estava delicioso e eles não pouparam nos elogios.

«Estás com um ar cansado.» Disse o pai.

«O dia de ontem foi extenuante.» Disse ela.

«Pois não deve ser por falta de dormires, porque ontem chegamos os dois por volta da meia noite e tu já dormias e, hoje, quando saímos ainda não tinhas acordado.» Disse a mãe.

«Esta noite dormi muito bem.»

«Eu vou sair.» Disse a mãe.

O pai informou que ficaria por casa e ela retirou-se para o quarto, pois tinha muito que estudar. A verdade é que não estudou nada. Sentia-se inquieta. Quando tentava concentrar-se, a mente voava, alternadamente, para a noite do dia anterior ou para um desejo que se avolumava dentro dela: uma dose de heroína. Ao fim de algum tempo desistiu e adormeceu com o som de Richard Clayderman, ao piano.

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