CARTAS NA PANDEMIA 49

Lisboa 14/07/2021

Bom dia Carol

Espero que esteja tudo bem contigo e com o maridão, por aqui está tudo bem em termos pessoais e profissionais.

Como sempre a tua carta pintou um sorriso nos meus lábios. Um sorriso largo e genuíno. É engraçado como, apesar de apenas nos conhecermos das cartas e de vivermos tão distantes, receber uma carta tua me dá tanta satisfação. Talvez estivesse escrito nas estrelas (como é que se pode escrever nas estrelas!) que as nossas vidas se iriam cruzar, desta forma tão singular. Mas deixemos isso, pelo menos por agora.

Imaginar-te a soltar umas boas gargalhadas, quando eu te chamei exatamente como a tua mãe o faria, fez-me sentir que tinha quase atingido o meu objetivo. A ideia era usar o nome completo como uma expressão de admiração, que foi o que a tua carta anterior provocou em mim, mas fazê-lo de uma forma divertida. A parte divertida foi alcançada a outra penso que estava expressa no resto da carta.

Achei adorável a forma como a transição entre a “Ana” e a “Carol” se deu. Eu concordo com a tua amiga. Não que considere o nome Ana como um nome de velha, mas a verdade é que tem associado uma certa seriedade, enquanto o de Carol remete para algo mais irrequieto e, portanto, mais jovem. Uma coisa curiosa é que, para os que acreditam na Numerologia Cabalística, a passagem de Ana para Carol não muda nada pois ambos são um 7, que é o número do triunfo do espírito sobre a matéria. Normalmente escolhido para as rainhas, na sua qualidade de companheiras e conselheiras dos reis.

Já vi que continuas ocupada em termos profissionais e que o tempo para o resto escasseia e o “resto”, na verdade é muito. Provavelmente nem deveria ser considerado como resto, mas sim o principal na nossa vida. Em todo o caso, espero que continues a ter tempo para ler e até para escrever.

Por aqui, em termos profissionais as coisas acalmaram um pouco embora continuem bem animadas. Continuamos envolvidos na due diligence de uma mega operação o que nos mantém ocupados e em alerta.

Em termos da minha escrita, as coisas vão bastante bem, pois tenho escrito bastante, sobretudo no livro motivado pelo teu questionamento de uma história, aparentemente porque o destino de uma personagem terá ficado em aberto.  Para além disso, tenho recebido o desafio de várias editoras para publicar. Neste momento tenho uma editora Brasileira a estudar uma proposta para publicação de seis livros meus.  Não sei se isso se vai traduzir ou não na publicação dos livros, sobretudo porque eu não quero publicar só por publicar. Tem que ser nos meus termos.  Foi bom saber que estarás na primeira fila da pré-venda, mas se comprares os seis, vais ter leitura para uns tempos (são aproximadamente duas mil e duzentas páginas de leitura!).

Em termos de leitura, tenho lido muitas coisas sobre Numerologia e apesar de já conhecer algumas técnicas e até as saber aplicar, continuo com muitas dúvidas sobre as interpretações feitas, estando, portanto, ainda bastante longe do “acreditar”. Diria que em termos de aprendizagem estou na fase do “despertar”. Não tenho conseguido ler outras coisas porque o meu dia só tem vinte e quatro horas.

Esta semana estou a escrever da minha casa de fim de semana. Como estou em teletrabalho, e precisava de substituir todo o sistema de domótica da casa, vim para cá. Isto aqui é um sossego. A casa está rodeada de quase dois hectares de terreno e comigo está apenas o King. De manhã, bem cedo, sou acordado pelo cantar da passarada que em seguida me visita no relvado, que dá continuidade às vidraças que separam a sala do exterior. Vejo-os debicar a relva, catando os bicharocos ou mergulhar na piscina azul clara (a tela é banca) saciando a sede. O dia vai estar muito quente e mais tarde terei de fechar as precianas para evitar que o calor entre. Por enquanto delicio-me com a paisagem. O terreno apresenta um declive próprio de uma diferença de altitude de vinte e oito metros. Lá ao fundo, depois de terminado o meu terreno, existem meia dúzia de casas seguidas de um mar verde. A mata estende-se até ao mar, pelo que, lá ao longe, o mar verde é substituído por um mar azul. Depois, do outro lado do mar aparecem, em todo o seu esplendor, o farol da Guia, a linha de Cascais, a serra de Sintra, Lisboa, com a ponte 25 de Abril e o Cristo Rei (sim nós também temos um Cristo Rei) e mais à direita as luzes de sinalização da ponte Vasco da Gama. É uma vista de cento e oitenta graus e eu usufruo dela enquanto degusto o pequeno almoço. Se não fosse o facto de ter de ir ao escritório com tanta frequência, talvez devesse mudar-me para aqui, pelo menos na altura do verão.

De manhã não consegui terminara a carta, ou pelo menos dar-lhe uma segunda leitura e colocar as despedias, por isso termino aproveitando o resto da hora do almoço.

Despeço-me até à volta do correio com um grande e forte abraço e votos de que receba notícias tuas rapidamente.

Manuel

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