CARTAS NA PANDEMIA 52

Lisboa, 29/03/2022

Boa noite Carol!

Em primeiro lugar, espero que esteja tudo bem contigo, comigo, apesar do imenso trabalho, está tudo bem. Confesso que nem sei por onde começar, depois da distração que me levou a não responder à tua última carta. Confesso, também, que tinha a noção (completamente errada!) de que tinha respondido, senão teria feito um esforço adicional para o fazer. Para compensar vou tentar fazer o dois em um, ou seja, responder às duas cartas.

É verdade, que publicar seis livros, em simultâneo, é uma tarefa hercúlea. É verdade, que estamos no fecho de contas de 2021, que é um período louco para quem está na área financeira e tem 63 entidades para fechar. É verdade, que a minha empresa está a ser adquirida e que isso tem aumentado muito o nosso trabalho, mas tudo isso não justifica o ter-me esquecido de te responder.

Relativamente aos livros, embora nada tenha corrido como era suposto e tenha tido muito mais trabalho do que esperava, penso que tudo se encaminha para terminar de forma satisfatória. Utilizo este termo de forma propositada, porque, apesar de meu esforço, as revisões da editora deixam algo a desejar, pelo que as obras não sairão perfeitas. Neste momento, tenho três obras prontas para publicação, duas em fase de diagramação e uma obra na fase de revisão ortográfica final. Apesar disso, a primeira capa está definida para as seis obras. O resultado até parece muito bom, mas considerando que as obras deveriam ter sido publicadas antes do fim do ano…

Relativamente à escrita, não tenho feito muita coisa porque a minha ocupação principal não me tem deixado respirar. Acresce que, na faculdade, estou lecionando mais uma matéria e isso também veio ajudar a complicar as coisas. Apesar de tudo, coincidência ou não, terminei hoje a escrita de um livro de 262 páginas. Naturalmente que ainda irá sofrer muitas alterações, mas o primeiro passo está dado. Trata-se de um romance de amor, cujo nome é: Palavras Proibidas. Tenho um segundo em curso e um terceiro com o programa definido. Infelizmente não tenho tido muito tempo para escrever para o blog.

A pandemia tem estado sob controlo e eu até já fui esquiar, na segunda semana de fevereiro. Naturalmente, que já temos todos as três doses de vacinas e que as máscaras continuam por cá. Talvez tenham vindo para ficar. Fomos até Zermatt, na Suíça. É curioso que encontramos um montão de brasileiros por lá. Foi uma semana fantástica e um regresso muito ansiado, depois de em 2021 termos estado ausentes das pistas. Esquiar é uma sensação fantástica, pelo menos para mim.

Em termos profissionais está tudo bem, embora deva ser confrontado, muito em breve, com a necessidade de tomar uma decisão sobre o caminho a seguir, mas é mais em termos de opções semelhantes. Tenho, também, ponderado muito tomar uma decisão como a tua e dedicar-me ao ensino e à escrita, mas ainda não sei se estou preparado para isso. De certa forma eu alimento-me do stress que o trabalho me dá e receio ter de enfrentar uma vida mais tranquila. Vamos ver no que isso dá.

A família está bem. Os rapazes começam a encontrar alguma estabilidade, um em termos profissionais, o outro em termos de estudos. Os restantes (eu e a esposa) estão muito bem e recomendam-se.

Olha o mais novo saiu agora mesmo para o treino do futebol americano. O campo é mesmo em frente da minha janela e oiço daqui os gritos deles. É bom voltar a ouvir o ruido das pessoas na rua, dos jovens treinando, depois de termos vivido o silêncio do confinamento durante tanto tempo. É bom ouvir os ruídos da noite e sentir que as ruas estão cheias de vida. É bom ouvir os aviões que passam, bem perto de minha casa. Tudo isso é bom, porque é sinal de vida. Está uma noite amena, apesar do vento e do frio que tem feito nos últimos tempos. Uma daquelas noites que convidam para um passeio noturno. Hoje não vai acontecer porque já dei a minha volta com o King.

Por falar no King, ele está a entrar na fase de macho adulto. Está impossível sair com ele à rua, pois dá uma de macho para os outros cães e só quer correr atrás das cadelas. Macho é fogo! Mas está muito lindo e elegante. Toda a gente fica a olhar para o ver a andar, de cabeça levantada, orelhas ao vento e rabo a abanar. Parece um Rei! E não é que é mesmo!

Mas chega de falar de mim.

Fiquei mesmo satisfeito ao saber que a decisão que tomaste, te deixou mais leve e que anseias por começar a nova vida. Vou gostar de saber em que te vais ocupar e o que te faz vibrar tanto assim. Pelas tuas cartas percebia-se que essa era a tua vontade e se a decisão foi tomada de forma ponderada (eu sei que foi), então está tudo certo. Quanto à empresa não te preocupes. As organizações têm a mania de que existem pessoas insubstituíveis, mas não existem. Eu costumo dizer que os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis e, no entanto, o mundo continua. Também acontece que na hora da saída os chefes gostam de complicar dizendo o quão difícil é substituir a pessoa, mas enquanto ela esteve na empresa não souberam cuidar de lhe dar condições para ela querer lá continuar. Mas, não vamos por aí.

Acho que vou terminar por aqui. Espero não ter deixado nada por responder e ter feito um retrato exaustivo de tudo o que de novo aconteceu por aqui, nos últimos tempos. Bom, não falei da guerra, mas também não quero falar. Chega de desgraças!

Um grande beijo cheio de saudades do teu amigo das cartas e até à volta do correio.

Manuel

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