O BEIRÃO

O BEIRÃO Estávamos em Novembro de 1975. Afonso Dias, um proprietário agrícola, estava sentado, dobrado sobre si mesmo, com o ouvido encostado à telefonia, tentando escutar a peça de reportagem da BBC que chegava até si, por entre os ruídos estáticos. A preocupação sobre a evolução dos destinos da política nacional havia muito que deixara … Continue reading O BEIRÃO

O FATO DE BANHO

 O FATO DE BANHO Quando tomava banho numa praia ocorreu à Srª. Isotta Barbarino um desagradável contratempo. Nadava ela ao largo, quando, parecendo-lhe altura de regressar, e já se dirigia para a margem, se apercebeu de que um facto irremediável acontecera. Perdera o fato de banho. -            - Por Deus! Como perdi eu … Continue reading O FATO DE BANHO

O REGRESSO

O REGRESSO A pequena vila piscatória estava em alvoroço! Os homens corriam para o velho porto com um entusiasmo pouco visto e as mulheres, que ignoravam o motivo da correria, seguiam atrás deles demandado saber a causa de tal agitação. - Então os homens ainda há pouco estavam por aí jogados, de lágrima ao canto … Continue reading O REGRESSO

PALAVRAS SOLTAS – A Praça

 A Praça Como se não bastassem os cegos e os aleijados e os desempregados, todos de mão estendida usando a sua deficiência para aceder à bolsa do passante, como se não bastassem os malabaristas e os tocadores de guitarra e os tocadores de violino e o tocadores de tambor, exibindo a sua arte ou a … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – A Praça

PALAVRAS SOLTAS – O Perfil

 O Perfil Os amigos costumam referir-se a Pedro, de forma simultaneamente carinhosa e brincalhona, como o “Bocage de Campolide”, local onde morava. A vida não lhe permitiu criar raízes muito profundas num único local, tendo passado a infância e parte da adolescência em Maputo e aos 13 anos de idade iniciado nova vida em Lisboa. … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – O Perfil

PALAVRAS SOLTAS – O Ciúme

O Ciúme  Primeiro Ato Deitado na cama, Raul via e revia mentalmente a cena. Pedro calçava uns sapatos de vela e vestia umas calças de tecido, beije, que lhe assentavam que nem uma luva. O conjunto ficava completo com uma camisa branca, desabotoada de forma a mostrar o peito, onde sobressaia um fio com duas … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – O Ciúme

PALAVRAS SOLTAS – A viagem

A VIAGEM (Epílogo) Finalmente tudo parece estar no seu lugar. O percurso diário e rotineiro para o escritório foi tranquilo, as pessoas com que me cruzo parecem sorrir-me, o céu está mais azul e até a cadeira, onde me sento todos os dias, parece mais confortável. Todo o drama, as mortes, a traição e o … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – A viagem

PALAVRAS SOLTAS – O percurso

O Percurso Ponto de vista Homodiegese O despertador tocou. De forma automática, mas quase sem custo, levanto-me e dirijo-me para a casa de banho. Faço a minha higiene pessoal, visto-me e, em seguida, abandono o quarto onde a minha esposa ainda repousa o sono dos justos.  O pequeno-almoço (fruta, galão e torradas com doce) é … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – O percurso

PALAVRAS SOLTAS – O Destino

O Destino EPILOGO 1 Passado o momento de nostalgia avanço. Fundo-me com a penumbra das ruas por onde sigo cambaleando. O olhar dos raros transeuntes com que me cruzo ignora-me ou veta-me à invisibilidade, tal é o desprezo com que me flameja. A noite e o silêncio caminham de mãos dadas e contrastam com a … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – O Destino

PALAVRAS SOLTAS – A batalha

 A BATALHA A savana, pintada de laranja pelo sol nascente, estava em paz. O primeiro sinal de agitação foi dado pelas gazelas, que debandaram assutadas! A princípio era apenas um rumor, semelhante ao barulho distante de um onda, que aumentava quando rebentava nas rochas, mas rapidamente se tornou num ruído ensurdecedor. O chão tremia com … Continue reading PALAVRAS SOLTAS – A batalha